quarta-feira, 28 de novembro de 2007

"Eu sou a mensagem"



Dia desses fui à livraria e vi que um novo livro do atual "boom" literário Markus Zusak ( autor do best seller A Menina que Roubava Livros) e logo me empolguei porque gostei muito da Menina, portanto comprei-o com muito gosto, pois mais uma fez o trabalho gráfico foi sensacional, muito bonito e atraente como podem vem ao lado e o texto da sinopse e das orelhas igualmente atrativos.
Quando finalmente comecei a lê-lo tive a maior das surpresas: a linguagem do livro era totalmente diferente da do best seller do mesmo autor. Achei isso sensacional logo de cara, é muito raro encontrar um autor que consegue escrever muitíssimo bem em dois estilos completamente diferentes.
A estória e o ritmo da mesma é muito casual e, portanto, extremamente envolvente; é um livro jovem para jovens - principalmente praqueles que não sabem o que querem da vida, no fim das contas - e faz nos perder em pensamentos sobre "pô, o que eu faria no lugar desse cara?" e coisa do tipo.
Não vou contar a mensagem final que o livro trás, levemente mascarada por toda a trama, mas dou-lhes a dica: é um ótimo livro pra quem pensa que o mundo está perdido, que ninguém faz a diferença na vida de ninguém. O livro mostra que a bondade dentro de nós só pode ser espalhada se nós mesmos a espalharmos.
O livro trás, afinal, grandes ensinamentos, e só percebemos que eles estão lá quando ele acaba. Estão perfeitamente de forma subliminar escondidos sob os palavrões, casos, personagens - estes mais do que carismáticos e identificáveis - e pela própria trama e pela forma com que ela se desenrola.
Uma ótima leitura aparentemente casual e pra lá de simples que acaba sendo muito mais que isso. Se muitos ditos "intelectuais" torcem o nariz para a linguagem coloquial e a oralidade, terão que engolir calados a forma com que ela foi empregada para transmitir em poucas e simples palavras aquilo que os entusiastas de Dostoi e Nietzche demorariam páginas intermináveis para explicar e enfim permanecerem incompreensíveis.
Uma rápida sinopse: o livro narra em primeira pessoa a vida de Ed Kennedy, um taxista fracassado de 19 anos com amigos perdedores apaixonado por uma menina que desistiu de amar, dá pra todo mundo e só quer sua amizade. A vida de Ed muda quando ele por impulso impede a fuga de um assaltante de banco, daí em diante passa a receber cartas de baralhao anônimas - mais especificamente ases - com nomes e endereços de pessoas a quem ele deve entregar "mensagens", sendo estas todo tipo de ação que acabarão sendo boas e mudando a vida de seus destinatários e do próprio Ed.
Numa narrativa simples com a intenção de ser simples que poderia ser até mesmo o romance de estréia do autor, Zusak nos mantêm interessados na estória a cada página e nos envolve profundamente com seus personagens muito bem construídos. A trama flui de capítulo em capítulo e virar as páginas nunca se torna algo cansativo.
Quando o livro acaba, recebemos nossa mensagem e fica aquela sensação de missão cumprida - e de quero mais.

3 comentários:

Pastori disse...

Me empreste depois!
Excelente resenha, só dê uma relida nos errinhos.


;D

Igor Caldas de Souza disse...

Legal! Mas a linguagem chula pode impressionar alguns :O
Continue trabalhando!!!! ;)

Biah disse...

Rapaz, jornalismo é seu futuro mesmo, não tem jeito... A resenha ficou ótima, ótima mesmo ^^ Como o pessoal disse, só tem algumas coisinhas que soam meio bruscas às vezes, mas perto da qualidade do texto é coisa de nada =)
Se puder pegar emprestado também... Deu vontade de ler \o/
Beijo beijo homi
=**