segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

o verdadeiro zepelin de chumbo


Aproveitando o dia do show do Led Zeppelin resolvi escrever sobre algo que todos conhecem e que todos são afetados: alienação e música. Junte os dois e você tem alienação musical. Há muita briga e divergência por causa dos gostos e também pela opinião sobre o que é brega e o que é chique entre críticos e o público, mas não vim discutir gostos e estilos, vim pela questão de que: a música aliena?
E como, para entender bem a questão basta usar duas palavras: cultura de massa. Os próprios artistas pegam um estilo musical em alta e o distorcem e é algo que se repete e acontece há muito tempo, ou você acha que rap surgiu cheio de mulheres seminuas e o funk cheio de apologias?Claro que não, e não é só esse o caso, vejam o que virou do brega nordestino e de boa parte das letras de axé de hoje em dia.
O rap surgiu para protestar, servir de voz para o povo, bons tempos o do Public Enemy, hoje vemos esse estilo dominar o mercado fonográfico americano com letras mais do que superficiais e isso acontece até mesmo no Brasil onde o rap de protesto é marginalizado e conhecido por baixo dos panos em que o único grupo de destaque são os Racionais MCs que têm aversão pela mídia.
O funk surgiu com James Brown e outros caras, uma música com destaque para os ritmos dançantes; quando surgiu, o funk carioca tinha, de fato, letras fracas, mas que soariam como poesia perto das letras mais famosas de hoje em dia. Aos poucos, foi ganhando espaço entre a classe média graças ao ritmo dançante misturado a hip hop que dominou a favela, bastou chegar à mídia que artistas mercenários avacalharam, dando ao povo o que queriam: ritmo, e a letra que se exploda. Daí todo mundo sabe o que virou, letras com apologias a sexo, drogas, violência. Mas não é só disso que vive o funk nacional, uma ramificação resiste, sufocada na favela, longe do sucesso gerado pela burguesia alienada e consumidora: o funk consciente que inspirado nos dias de glória do rap americano e no rap alternativo nacional, faz letras sobre os dias de cão da favela, a negligência governamental e à falta de estudo e oportunidade.
Quanto ao nordeste, basta ver a maior banda da região no momento, a Calypso, nada contra eles, afinal, não fazem apologia a nada nem atacam a imagem de nenhum suposto ideal musical, o problema é o estrago que esse sucesso trás. É o que o povo quer, músicas dançantes e animadas, porém, o povo acaba controlado por aquilo, e a política, e os outros estilos musicais, e a poesia? Vai tudo pro saco, já que querem mesmo é ir pro frevo embora todos os outros estilos não deixem de estar lá, eles estão, mas o povo simplesmente não se interessa por eles e, portanto, não amadurecem culturalmente.
Então Calypso é um atraso? De forma alguma, mas culturalmente falando é bem melhor ter um povo eclético e com conhecimento musical do que fossilizado no Calypso, pois o objetivo seria que nada impedisse um fã de Calypso também ser fã de Chico Buarque, mas isso não acontece porque os fãs de Chico não querem Calypso e vice-versa.
A cultura musical nacional fica estagnada e atrasada; o ponto é que somos um povo culturalmente ignorante e verdadeiras portas no que se trata de música.
O povo brasileiro é quadrado e atrasado, pois não só não é eclético como a massa é fortemente alienada e controlada por músicas estúpidas e vazias impostas pela burguesia igualmente burra que tira a música, muitas vezes marginal e a transforma em algo distorcido. Não que Led Zeppelin e Pink Floyd sejam superiores, mas acontece que a maioria do povo não conhece essas bandas nem quer conhecer, e isso não é só a classe baixa, mas a burguesia também que é exatamente a classe social que dita o que vai tocar ou não na rádio e que é tão alienada e controlada quanto as classes pobres quando se trata de cultura e o que nos aprisiona numa pirâmide social de ignorantes.
Um povo que não ouve boa música, não lê livro algum nem assiste a bons filmes.
Esse é o verdadeiro zepelin de chumbo, a cultura do brasileiro, que nunca foi das melhores e tende a afundar tão depressa quanto a expressão sugere.
Viva o Led Zeppelin nacional!Tomara que as massas e os malditos artistas mercenários acordem de seus sonhos idiotas e passem a fazer música de verdade, com letras construtivas que sirvam para um entretenimento inofensivo à população e não algo que deforme cada vez mais os valores necessários para se ter algum progresso.
E vale lembrar que isso não é só no Brasil, a questão é que aqui a coisa está preta, mas também está preta nos EUA por exemplo, afinal, é lá que os rappers bling-bling estão devorando a grande fatia do mercado fonográfico e artistas pop adolescentes devoram desesperadamente o que sobra sem deixar espaço para praticamente nada construtivo.
É a morte do romance e da cultura em que uma ironica igualdade social onde ricos e pobres vão afundar juntos graças ao desinteresse dos ricos e a desinformação dos pobres: alienados e ignorantes, rumo a novas gerações cada vez mais idiotas.

9 comentários:

Igor Caldas de Souza disse...

não sei.... isso me lembro uma música!


"È DECADÊNCIA SOCIAL!!!! É DECADÊNCIA SOCIAL!!!!"

Walter Pureza Neto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo disse...

É possível ser eclético sim, contrapondo a opinião do Neto. Eu ouço progressivo e Hard rock ao mesmo tempo. Certo que prefiro o Hard Rock, mas não critico um riff de Progressivo.
Afirmar que Hard Rock só fala sobre sexo e drogas é uma falácia extrema. Pesquise sobre letras de Whitesnake, Motley Crue e Gun's and Roses.

Rodrigo disse...

E, Zé, a quem você se refere quando fala sobre burguesia?

Você falou certo: a cultura de maneira geral aqui no paisinho está bem denegrida, mas não consegui identificar em seu texto a justificativa de isso ocorrer.

Rodrigo disse...

tá certo...manipulação.

"a burguesia também que é exatamente a classe social que dita o que vai tocar ou não na rádio e que é tão alienada e controlada"

Mas isso? Como a burguesia pode ser controlada sendo que é ela quem exerce o controle?

Aureliano disse...

no caso brasileiro, ela é alienada pelo que vem de fora - por outra burguesia - e lá fora o caso é a mídia

Biah disse...

Muito bom, muito bom mesmo o texto, Zéh. Só acho que a gente precisa ainda assumir a parcela de culpa implícita que cada um de nós tem, afinal de contas, nós somos a burguesia da qual você falou e de um jeito ou outro recebemos um fluxo tão grande de informação todo dia que acaba ficando meio impossível filtrar tudo... O que realmente falta é senso crítico e mais discernimento pra absorver o bão e chutar a porcaria. É como você disse, quem gosta de Calypso pode muito bem gostar de Chico... Gostos são gostos, desde que eles não prejudiquem ninguém!
Belas palavras meu jovem, dá pra gente refletir um bocado =)
Beijão =****

Biah disse...

Mais tarde venho aqui e comento nos outros dois posts \o/ Yes, nem acredito que finalmente tô aqui xD *lerda*

renato disse...

zééé, muito bom muito bom.
Na verdade, eu não entendo a idéia geral de música, digo, o jeito como ela é tratada de uma forma divisória de águas e como ela vista como isto...
de fato, há uma separação por rotulação e é isso que faz a política separatista...
mas enfim, música é um ideal unificador como eu penso... a única coisa que não dividiria o mundo seria música e etc. Portanto, acho que as pessoas, no mínimo, não sabem ouvir o que estão ouvindo ou o que lhes é oferecido.