terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Adeus ano velho...

Todo mundo faz muito mistério quanto ao Ano Novo. Simpatias, promessas e gastos fazem parte das comemorações de fim de ano, mas fazer isso tudo pra que? E a realidade, onde fica? No ponto financeiro, há muitas variantes, mas quanto ao emocional e ao espiritual, qual a utilidade de fazer promessas que não se podem cumprir e desejos que não irão se realizar? São coisas que nos faz sentir bem? Melhor? Realizado?
Mas os desejos podem se realizar e as promessas podem se cumprir, claro, mas porque na maioria das vezes isso não acontece? Porque são "Promessas e desejos de ANO NOVO"? Te digo agora, essas coisas não acontecem ou nem sequer chegam perto por preguiça.
Isso mesmo. Preguiça.
Prometemos e desejamos o impossível porque não movemos sequer uma palha para alcançá-lo ou cumpri-lo e se tentamos, desistimos na primeira barreira, até mesmo aqueles que persistem em sua maioria caem por terra quando as paredes começam a ficar altas demais para serem puladas, quando as opções passam a ser derrubá-las à força ou dar pra trás.
E quanto a todos os sentimentos de fim de ano? Acredito que são os sentimentos que fazem a gente ter os tais desejos. Tantos "quero emagrecer", "arranjar uma namorada", "passar no vestibular" que aparecem nessas datas além de tantos outros de cunho materialista. Olhando dessa forma, pode até soar um tanto egoísta demais já que ninguém pede "paz mundial" ou "fim da fome", mas na verdade não é, somente é o nosso desejo insacíavel por realização, mesmo que desejassem tais coisas boas, não ia adiantar merda nenhuma, pois se ninguém toma atitudes para atingirem seus próprios desejos - por estarem desacreditados demais - imagine como se sentem quanto a coisas tão grandes.
O homem é um ser minúsculo, e o sentimento de união do Ano Novo é rapidamente substituído por um fundo do posso de insignificância assim que a ressaca passa e as contas chegam e a realidade te soca na cara com todas as malditas forças e leis imutáveis da física. Mas é, às vezes até a Física estressa, às vezes você quer quebrá-la, não quer que as coisas sejam tão do jeito que são, mas você na maioria das vezes não faz nada para que sejam diferentes.
Muita gente se pergunta se a vida tem Destino, se temos uma missão ou se somos só uma piada de mau gosto: crie seres inferiores e os assista se matarem. Mas acredito que não, sério, posso não achar que temos um propósito, mas não somos um acidente ou uma brincadeira, mas o ponto não é esse, o ponto é que a vida como a conhecemos e como a fizemos muitas vezes faz com que nos sintamos assim ou pensemos assim.
Quando a festa acaba e todos vão embora e você se senta no sofá cansado demais pra limpar a bagunça, você pensa sobre seu ano, sobre sua vida, sobre seus sonhos.
Pensa naqueles que você valoriza, mas que provavelmente não dão à mínima pra você; pensa nos seus amigos e se pergunta quais deles são de verdade e quais não são; pensa na namorada que podia ter; pensa nas que teve; pensa nas que teve e que estão pegando algum amigo seu - às vezes acaba sendo até o seu melhor amigo; pensa na felicidade alheia; pensa na sua; pensa se ela está completa, se ela é de verdade; muita gente nem pensa nisso, porque muita gente é triste e infeliz porque a vida derrubou-os muitas vezes enquanto ainda estavam de joelhos, sem terem tido tempo de de levantar de cada queda.
Amigos e namoradas, essas são coisas que fazem você realmente pensar pra valer, os dois maiores sentimentos que você tem com o mundo exterior, fora das paredes protetoras e alienantes da família. Amor e Amizade, considerados os maiores sentimentos da humanidade pela sociedade cristã ocidental. E são mesmo.
Pra mim, a Amizade é o grande trunfo, o que gera grandes virtudes como a coragem, a bravura e o martírio, mas pra mim o Amor, puro e idolatrado como é, é um bosta, um vilão. O Amor é mau, corrompe as pessoas e pode gerar coisas ruins como inveja, traição, luxúria e vingança naqueles mais fracos.
Mas o que esses sentimentos têm a ver com o Ano Novo? Têm a ver com o fato de você pensar neles e eles serem todo o seu mundinho social. Um exemplo prático? Você ver quais amigos te desejaram feliz Ano Novo ou não, mandaram um recado, uma lembrança, um cartão ou um aperto de mão; e os que não mandaram, claro. Não são seus amigos? Não se importam com você? Quase sempre, isso tudo é só paranóia, você se preocupando com seus amigos porque ele são seus amigos, a coisa só complica quando eles não são...
E quanto ao amor? Quando você está lá, vendo aqueles fogos lindos, num lugar lindo, numa festa linda sem ninguém ao seu lado, e dá aquela dorzinha e você pensa como seria estar ali acompanhado do amor da sua vida. E aqueles que estão acompanhados, pensam, "Será ela a especial?", "Será que tudo vai dar certo?", "Será que ela realmente me ama?", "Será que eu a amo?".
Em todas essas questões sentimentais, tudo o que você pode fazer é pagar pra ver.
fode quando o preço é muito alto.
E aí, voltamos aquela lição do fazer acontecer de que falei bastante no início. Você cai, você se fode, você se decepciona; e aí, o que fazer? Reaja! O mundo não vai parar só porque mais um humano patético como você está melancólico, desiludido e decepcionado de novo.
A pergunta é se todos nós queremos e podemos nos erguer de nossas quedas, se podemos realmente fazer acontecer, se com nossos esforços e muita persistência possamos alcançar nossos sonhos e cumprir nossas promessas para que elas não sejam de Ano Novo, sejam do dia a dia, que façamos do que pensamos realidade.
Existem três realidades: O que é, o que poderia ser e o que gostaríamos que fosse.
Qual deles é a sua realidade?
Qual deles você vai tornar real?
Feliz 2008

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