segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O faroeste metafórico


Pegando carona na cerimonia do Oscar, realizada ontem - grande merda -, que é considerada por um bando de idiotas almofadinhas como a maior premiação cinematográfica do mundo, embora seja só mais uma e dedicada principalmente e claramente ao cinema estadunidense e holywoodiano que é puro marketing e rasgação de seda e que acaba muitas vezes sendo injusta e sempre foi quadrada e politizada. Qual a questão importante disso?É a de que pelo menos alguns grandes filmes passam por lá todo ano - assim como também acontecem anos fraquíssimos - e esse ano de 2007 foi fraco já que a maioria dos indicados haviam estreado no final do ano lá fora e só esse ano aqui. Mas entre eles o grande ganhador se destacou por ser um desses bons filmes e é dele que vou falar.
Onde os Fracos não têm Vez ( No Country For Old Men), dos irmãos Coen, ganhou nas principais categorias - aquelas que, na minha opinião, são as únicas que realmente premiam o mérito de alguém, e não só puxam saco e vendem prêmios - que foram melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante, melhor diretor e melhor filme.
E são exatamente nesses pontos em que o filme se destaca além da obra sensacional em que foi fielmente baseada, que transforma uma aparente e boba estória de gato e rato num enredo marcante, com meios diálogos, corrupção e lotado de metáforas quanto à natureza humana.
O filme é baseado no livro aclamado pela crítica de Cormac McCarthy, famoso principalmente nos EUA, que tem nove romances publicados e 40 anos de carreira literária. O livro recebeu um nome mais fiel em português ao título original do que o filme, a publicação nacional de chama "Onde os Velhos não têm Vez". O autor é famoso por suas obras complexas embora aparentemente simples, com linguagem metafórica e personagens marcantes que encarnam os sentimentos humanos.
Na obra citada, o filme foi fielmente adaptado, trazendo inclusive as partes sem pé nem cabeça do livro e por isso foi elogiado pelos fãs e recebeu o prêmio e melhor roteiro adaptado.
Quanto ao melhor ator coadjuvante, Javier Bardem deu vida a mais um psicopata inesquecível do cinema: Anton Chigurh, o cara frio, calado, com penteado de Ramone, que mata com uma arma de ar comprimido para abater gado consegue ser um personagem tão assustador como Hannibal Lecter, Javier conseguiu fazer desse personagem um ser real, assustadoramente real. No livro metafórico, Chigurh representa a maldade humana, que destrói tudo em seu caminho por ganância, sem motivo ou consciência aparente.
Chigurh persegue um homem simples que acha uma maleta com mais de 2 milhões de dólares numa campina onde uma troca de traficantes mexicanos deu errado, ele representa a fraqueza humana, o desejo por uma vida melhor. Por causa de um simples erro cometido pelo personagem Llewlen Moss, ele fica com Chigurh, os chefes do mesmo e os mexicanos na sua cola.
Todo o filme trás em geral a mensagem de que uma simples escolha pode ser o maior erro da sua vida ou a maior benção, e mostra isso da forma mais simples e clara possível: um homem comum pega um dinheiro sujo e bota toda a sua vida a perder por isso.
A adaptação ficou tão fiel graças às mãos dos irmãos Coen, já aclamados por Fargo que fizeram desse filme aparentemente simples uma obra prima.
Por essas, o filme foi realmente o melhor de 2007, e eu recomendo muito para vocês.

0 comentários: