quinta-feira, 22 de maio de 2008

Trabalhos sujos à preço de banana - Introdução: pegando o espírito da coisa

Ele parou o Opala preto do outro lado da rua do prédio decadente e sugismundo que mais parecia uma velha com grandes bolsas embaixo dos olhos de janelas sujas e quebradas e manchas terríveis nas bochechas de pintura desgastada e lodo.
Desligou o carro. Botou o chapéu de palha na cabeça, guardou a pistola no bolso interno do paletó e saiu do veículo. Fechou a porta e parou em pé, olhou o prédio nojento, baixo, escuro, exceto por uma luz que vazava uma janela do terceiro andar. Seu destino. Jogou o cigarro e algum lugar entre os paralelepípedos e a grama que crescia entre eles. Botou as mãos na cintura como de costume, suspirou e atravessou a rua, entrando no lugar.
Subiu de uma vez e bateu na porta, quando ninguém respondeu, abriu sem cerimônia e seguiu pelo corredor curto e estreito do apartamento de quinta categoria com paredes de papel vermelho que havia se soltado ou estava rasgado em certos pontos. Viu a luz do banheiro e entrou nele.
O homem na banheira estremeceu, gritou, deu um pulo, abraçou a submetralhadora ao lado e depois se acalmou.
- Porra, Pedro, quer me matar do coração?
- E aí Enry, o que você me conta?
- Aqueles malditos contrabandistas de novo, aqueles putos, entraram, quebraram tudo aqui, tive que espantá-los no tiro, porra!
- Qual é a da banheira?
- Eu tinha que relaxar depois duma dessas, não?
Pedro assentiu.
- Você tem fogo? - perguntou.
- Ao seu lado, sobre a pia. - respondeu Enry.
Pedro sento-se num banquinho de plástico ao lado da pia, pegou o isqueiro e acendeu um cigarro, tragou, e se encostou na parede cheia de azulejos faltando ou trincados.
- Por isso que eu te chamei, Pedro, quero que você vá atrás desses caras, são três deles, mate os três, te pago 300 por cabeça!
Pedro assentiu novamente.
- Quer um analgésico?
- Claro, devem ter alguns na cozinha.
- Paracetamol?
- Não sei, deve ter!
- Certo, já volto. - disse Pedro se levantou e foi para a cozinha.
Ele revirou os armários da cozinha, diversos remédios, diversos analgésicos, relaxantes musculares, todas essas coisas. Achou. Pegou também uma garrafa de uísque, altamente alcóolico. Derramou todo o remédio dentro da bebida, eram mais ou menos da mesma cor, ninguém ia notar.
- Aqui está. - disse Pedro entregando a garrafa para Enry.
- O melhor analgésico de todos! - disse o outro sorrindo.
Ele bebeu grandes goles, Pedro só observou.
- Então, negócio fechado?
- Vou pensar, amanhã eu te ligo.
- Certo então.
Pedro levantou e saiu.
Ele não ia ligar.
300 dólares por cabeça, pau duro até a morte. Numa circunstância normal, Pedro aceitaria sem recusar, mas os alvos haviam-lhe oferecido 3000 para matar Enry de uma forma discreta que parecesse um acidente. Pedro gastou uma noite para pensar no método. Foi simples. Alguns remédios, mesmo comuns, nunca devem ser misturados com álcool. Muito menos em grandes quantidades. O uísque disfarçaria o sabor, Enry não ia nem sequer notar.
Ia estar morto pela manhã.
Pedro entrou no carro, deu a partida e saiu com seu Opala pela noite.

1 comentários:

Biah disse...

Uahhhhhhhh continua continua continua =DDDDDD
Super filme do Clint Eastwood! ehuehehuehe! Massaaa \o/