domingo, 7 de setembro de 2008

Como cães


Venho recomendar um filme sensacional que já haviam me recomendado mil vezes e que você já pode ter visto, mas que eu só vi hoje e é perfeito chamado Dogville.
A estória aparentemente é bem simples: Grace, fugindo de seu pai, um chefão da Máfia durante a Depressão, se refugia numa cidadezinha aparentemente pacata e acolhedora chamada Dogville que tem apenas 15 habitantes adultos.
Grace é acolhida e acha que encontrou o lugar mais perfeito do mundo para se morar com pessoas adoráveis e gentis. É aí que a coisa começa a mudar de figura; Grace aos poucos vai experimentando e vendo as diversas facetas do comportamento humano e invariavelmente tudo que há de animalesco nele sob uma fachada adorável. Logo ela vê que uma cidade aparentemente bela e de cidadãos unidos e amáveis não passa de uma máscara de ferro da hipocrisia que vemos todo dia em todo lugar com pessoas falsas, oprimidas, invejosas e rancorosas.
O filme, primeiro de uma trilogia sobre os EUA do dinamarquês Lars Von Trier, desnecessário dizer que ele é exageradamente crítico e sarcástico em sua abordagem. O segundo filme já foi lançado e está nas locadoras, chama-se Manderlay, que é sobre Grace e seu pai chegando numa fazenda escravocrata, o último se chamará Washington e ainda não foi lançado. Para mostrar os EUA de diferentes formas, os atores de Grace e seu pai mudam de um filme por outro, sendo representados no primeiro por Nicole Kidman - nem precisa dizer nada - e por James Caan - o Santino do primeiro O Poderoso Chefão -, já no secundo os mesmos papéis são vividos por Bryce Dalas Howard - a Gwen Stacy do último Homem-Aranha - e Willen Dafoe - de Platoon e coinscidentemente do primeiro Homem-Aranha -.
Outro fato notável no filme é o seu conceito. Todo o filme é filmado em um cenário só que é praticamente um palco com alguns objetos em cima sem ter nada além disso, nem sequer plano de fundo, nem paredes. Tudo o que se tem é a estória e a atuação dos atores, além do toque teatral da iluminação.
Enfim, o filme é uma obra-prima sobre a hipocrisia e a sociedade na dose certa com um toque de fábula com um climáx excelente e culminando com a frase do personagem de James Caan: "estupradores, assassinos, aproveitadores, não são humanos, são cães". Agora, basta relacionar a frase com o nome do filme e você entende a profundidade da coisa.
O filme mostra a máxima "o homem é o lobo do homem" de forma marcante além de mais um sem tanto de furos na nossa sociedade e comportamento, realmente um filme recomendadíssimo a todos como muito a criticar e a dizer - e sem nenhuma papa na língua para isso.

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