sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Escritor

Eu nunca fui muito de aventuras.
Acho que nunca fez parte da minha personalidade, porém sempre adorei histórias, saber da aventura dos outros ou imaginar as minhas, escalar montanhas no conforto de casa, construir personagens carismáticos nos seus mínimos detalhes.
É assim que se começa a contar estórias e a -las no papel. Nele você domina o mundo, seus personagens ou até mesmo si próprio vive, faz, enfrenta e sente tudo aquilo que você sempre quis.
As pessoas gostam, pois assim como o escritor, querem sair do ordinário, e assim como ele foge da realidade, leva pedacinhos desses diversos admiráveis mundos novos a cada um que lê um livro, vê um filme, ouve uma música.
Talvez seja um complexo de Deus. Um ser humano insignificante tem poder absoluto quando escreve: de vida, de morte, de amor, de tragédia.
Eu sempre fui fraco ou mediano em tudo que fiz. Talvez por isso, sempre fui muito imaginativo, com estórias belas e gloriosas em minha cabeça que qualquer homem adoraria vivenciar. Já tentaram tirar isso de mim das mais diversas formas, mas sempre permanece e consola quando nos sentimos mal pela vida ser como ela é: miséria, fome, corrupção, avareza e tantas coisas mais.
Nossos personagens podem viver o que sempre quisemos viver, ser quem sempre quisemos ser, mesmo se passarem toda a sua existência trancados dentro da gaveta de uma escrivania.
O escritor escreve sozinho, é um processo solitário. Por não ser de aventuras, inspirar-se na dos outros, acaba que suas aventuras são sempre de papel, porém eternas.
Esse papo de que quem escreve é culto, intelectual, é errônea. Qualquer um pode escrever, pois a escrita não é intelecto, mas sim coração. Eu mesmo nunca fui grande coisa na escola e nunca gostei da mesma e sei pouco ou quase nada desse mundão de meu Deus, mas nada disso me impede de ver e sentir o suficiente para transcrever essa emoção.
E escrever, por ser uma arte, não tem modo correto de ser feito e requer nada, pois talento é relativo, depende do ponto de vista. Alguns dizem que eu escrevo bem - o que me deixa lisonjeado e inchado feito um balão - mas posso ser péssimo para outros. Mas a graça da coisa é escrever por escrever, não pra ser avaliado, portanto, se você gosta, não dê ouvidos ao professor de Redação.
Não dê ouvidos à escola, ela só serve pra você se sentir deslocado e burro. Faça o que puder, mas não meça sua inteligência por notas, ela vai muito além disso.
Este texto não é de lamentação, pelo contrário, é um ode; este texto é o que penso de como os escritores são. Rompem de longe o esteriótipo de intelectual, introvertido, melancólico e solitário. Escritores são qualquer um, podendo ser tristes, alegres, paquidermes, o que for. O que os une é a terra fértil que exploram.
Como disse, são feitos de emoções, vividas ou não, expressam suas vontades e anseios de Amor, Amizade, Desejo, Destino, Vingança, Sonhos e Destruição. Todos eles, bons e ruins.
Pois Victor Hugo dizia: "as ilusões sustentam a alma como as asas sustentam o pássaro". As ilusões são os sonhos que sustentam a caneta de quem escreve.

4 comentários:

luciana disse...

Escrever pode ser fuga,escrever não é um tarefa fácil.pode ser querer traduzir o dia-a-dia.
"É ver o mundo de dentro para fora e depois de fora para dentro para melhor distanciamento. E, é nessa lida diária de registo, na paixão que toma e possui quem escreve, nesse voo livre em viagem mental liberta e desprendida, onde os sentidos coexistem com as vivências e as apetências que os verdadeiros escritores de talento e génio se transcendem e se revelam."
Ou não.
Beijos.

Andréa disse...

Tá certim Zé...vamos mandar todos os professores de redaçã à merda! Mas que eles antes dêem as notas 10 que vocês precisam, ok?
Beijomeliga.
*3*

-laurex disse...

escrever é assim ser maior. por isso que eu não acho que é pra qualquer um. escrever é querer ser maior, ousar ser maior. maior do que si mesmo. maior do que a realidade. escrever é transender, e se é todo mundo que pode não é todo mundo que quer. querer é poder, mas a recíproca não é verdadeira. se fosse como os outros,o escritor não seria solitário, deslocado. seria parte do todo. mas a gente é mais, a gente é vários todos. e putz, quem dera que isso fosse suficiente, ou até comprovadamente bom.
e sim, vc escrever bem. só de escrever, exercitar, ser maior que a escola e a burocracia da escola. a sociedade goiâniense, a vida de vestibulando.

Pedro Antônio disse...

Demais o texto! Parabéns!

O poder da imaginação transforma a gente!

E o sonho das palavras ninguém consegue nos tirar.

Abração.

Pedro Antônio - A TORRE MÁGICA