terça-feira, 26 de maio de 2009

Trabalhos sujos à preço de banana - Pegador

O Bolívia estava mais nervoso do que ele e respirava tão alto que podiam ser ouvidos a um quilômetro de distância. Pedro fingia não se importar, mas olhava feio pra ele toda vez que sua inspiração soava como um elefante-marinho no cio. Mas ele não ia causar problemas, seu amigo estava muito motivado nesse trabalho, por isso o chamara. Só tinha medo que essa motivação pudesse estragar tudo e Pedro não queria um crime passional, já que as pessoas podiam ficar agressivas. Muito agressivas.
Estavam de frente pra casa onde realizariam o serviço, fora difícil chegar até ali, estavam num condomínio fechado, cerca elétrica, seguranças armados, o diabo. Se não fossem os anos de experiência de Pedro, talvez não tivesse conseguido. A noite estava silenciosa, era mais de uma da madrugada, todas as casas estavam escuras e as únicas luzes vinham dos poucos postes na rua. Podiam ouvir grilos nos arbustos próximos.
E o Bolívia parecendo um trator de demolição.
Talvez ter levado um sujeito tão enorme pra fazer um serviço na calada da noite não fosse lá tão inteligente, mas Pedro também não era discreto e não conseguiria fazer o serviço sozinho. O índio tinha o cabelo preso num rabo de cavalo, a expressão apreensiva, quase assustada, usava uma jaqueta de couro sobre a camiseta, calça militar e tênis, segurava o enorme machado que Pedro lhe arranjara sobre o ombro direito com as duas mãos que giravam impacientemente pelo cabo. Pedro sorriu. Quando o sujeito visse o tamanho do brucutu e o tamanho do machado, sua expressão seria impagável.
- Tá na hora. - disse. Parou de frente a porta enquanto arrombava a fechadura com seu kit, ela cedeu com o clique, ele sacou a pistola e a empurrou lentamente com um ranger agourento.
Tudo estava escuro no andar de baixo, mas luz e barulho vinha de um dos quartos do andar de cima. Fez sinal para Bolívia que fechou a porta com o máximo de cuidado e subiram as escadas, o som dos seus passos sendo abafados pela música e risadas voluptuosas. A festa estava boa.
Pedro entrou no quarto duma vez, apontando a arma e gritando:
- Mão na cabeça, vagabundo!
Havia duas piranhas só de calcinha sobre a cama, uma loira e uma de cabelos castanhos, ambas gritaram ao mesmo tempo e a morena caiu da cama, o rapaz estava no banheiro da suíte, apagou a luz, mas não saiu, com certeza rezando para que não tivesse sido visto. De fato, se Pedro não soubesse que ele estaria lá com certeza e se não tivesse visto a luz se apagar, do ponto onde estava não via nada.
- Peguem suas porcarias e vão pra casa. - disse Pedro, Bolívia parado ao seu lado.
- Só depois de nos pagar.
- Quanto?
- 100 cada.
- É, eu não tenho, Bolívia, busca o dono da grana pra gente.
Escutaram um estrondo no banheiro e o índio logo correu até lá, sumindo temporariamente do campo de visão, ouviram-se pancadas, gritos de medo e resmungos e palavrões até que o amigo paquidérmico reapareceu carregando um sujeito de uns vinte e dois anos de idade preso pelo pescoço com o cabo do machado contra o corpo do gigante que o prensava, por sua vez, contra o cabo, fazendo-o engasgar, seus pés mal tocando o chão. Estava sem camisa e sem sapato, só vestindo uma calça jeans desabotoada, indicador de que a festa estava prestes a ferver.
- Solta a tchula, bicho. - ordenou.
Ele apontou pra suas roupas, espalhadas no chão, Pedro as revirou até achar a carteira, pegou-a e pagou as moças.
- Vocês conhecem o esquema, moças: saiam sorrindo e ninguém viu nada.
- Se for assim, eu vou querer mais. - disse a loira.
- E vai ter mais: que tal redecorar as paredes com seu cérebro?
Ela fez uma careta e saiu logo atrás da outra. Bolívia jogou o garoto na cama e ergueu o machado de forma ameaçadora, o coitado se contorcia entre os panos e choramingava. Pedro tirou todo o dinheiro restante que havia na carteira e guardou no bolso interno do paletó, olhou a identidade.
- Luís, grande Luís, é tu mesmo rapaz. Diga-me - ele pegou uma cadeira próxima e sentou-se ao contrário da mesma, com os braços apoiados no encosto, a arma pendendo de sua mão, de frente para o garoto. - você é O cara não é? Sabe, eu e meu amigo ali ouvimos boas sobre você, que tem um hobby peculiar de seduzir menininhas inocentes, fazer videos, fotos e depois difamá-las, exibindo-as como troféus para amigos e que sempre, quase que sem querer, a história vaza e as coitadas não tem onde botar a cara e você ri delas. Deve se sentir o Rei da Montanha, ? Me diz, é isso que você tem que fazer pra se sentir macho? Se sentir homem? Você tem que humilhar pra se sentir no poder, no controle?
Luís não respondeu nada, a princípio só balbuciou e olhou de um pra outro, até chegar à conclusão que todo mauricinho em apuros sempre chega:
- Quanto vocês querem? Meu pai tem um cofre sabia? Eu posso lhes pagar muito bem.
Pedro olhou para Bolívia, este parecia à beira de um ataque de raiva, segurava o cabo com força, seus músculos se retesando sob a jaqueta, a expressão contorcida de ira.
- Desculpe, mas já fomos pagos e de forma adiantada. E de qualquer forma, você acha que meu amigo aqui está a fim de negociar? Sabe, você não faz ideia de como ele quer fazer o que viemos fazer, eu não posso tirar isso dele.
- E o que vieram fazer? - gaguejou ele.
Pedro fez sinal com a cabeça para o machado. Luís começou a gritar, desesperado, recuando até cair da cama. Pedro suspirou, pegou o machado das mãos de Bolívia depois de um certo esforço e disse:"Faça esse babaca calar a boca". O gigante avançou como um tanque de guerra, agarrou seu inimigo no chão e o ergueu pelos cabelos até que pendesse no ar, jogou-o contra a parede oposta e avançou, chutando-o enquanto estava no chão, seu estômago, sua boca, sua cabeça, nada escapou aos pés do agressor que o arrastou até o banheiro enquanto a vítima tentava se arrastar inutilmente para longe, ergueu-o novamente e bateu-lhe a cabeça sussecivamente na pia de porcelana até que ela cedesse, o rapaz caiu semi-inconsciente no chão, sangue pingando de sua cabeça e boca, seus olhos roxos, mas Bolívia não quis saber, puxou sua cabeça e enfiou-a no vaso sanitário sucessivas vezes até quase sufocá-lo, contorceu-se no chão, cuspindo água e sangue. O ser irado colocou-o de pé com dificuldade e socou-lhe o rosto e as costelas repetidamente, puxando-o de volta sempre pelos braços para que não caísse, por fim, chutou-lhe no tórax e ele atravessou o box de vidro, com um estrondo. Engasgando e cortado pelos cacos, permaneceu caído e choramingando baixinho, mas Bolívia não tinha terminado, agachou-se sobre ele e esfregou-lhe o rosto nos cacos de vidro.
- Quero ver você conquistar mais coitadas agora, verme!
- Chega! - ordenou Pedro. - agora vamos para o prato principal.
Colocaram Luís no banco de trás de seu próprio carro e saíram. Por sorte, não havia ninguém para barrá-los na guarita, por certo reconheceram o carro e tudo o mais. Levaram-no para as ruas do centro, infestadas de prostitutas e travestis baratos, pararam em uma rua relativamente vazia, com cinco travestis enormes e mal-disfarçados, que fizeram Bolívia apertar o machado com força.
- Boa noite, senhoritas, tenho um esquema pra vocês.
Eles se aproximaram, Bolívia pegou Luís e o jogou na calçada, eles recuaram.
- Epa, o que é isso meu irmão? - disse um deles, que com o susto, nem disfarçou a voz grossa.
- Mil e duzentos reais pra três de vocês que aceitarem dar um trato nele. - disse Pedro, mostrando um maço de dinheiro.
Luís gemeu no chão e começou a tentar se arrastar de novo, Bolívia desferiu um golpe de machado milímetros à frente de sua cabeça, fazendo-o parar e pôs um dos pés sobre suas costas.
- Eu estou fora, eu que não fodo gente morta. - disse um dando as costas.
- Nem eu. - afastou-se outro.
Os outros ainda pareciam indecisos.
- Deixe eu lhes iluminar com a razão disso todo: esse verme que se encontra sobre os pés de meu fiel escudeiro participava de apostas para abusar de meninas virgens, jovens e inocentes da faculdade e depois de se aproveitar ao máximo delas, as largava e espalhava não somente a história, mas videos e fotos por todo o campus, se divertindo e se achando poderoso sobre elas. Devo lembrar-lhes que eram meninas inocentes, conservadores, conquistadas pelo que parecia um verdadeiro romântico, viram seus sonhos e vidas destruídos, pois levaram tudo a sério ao ponto desse lixo ter causado o suicídio de duas e a gravidez indesejada de uma que ele nem se quer se importou, dizem até que o aborto que ela veio a sofrer não foi espontâneo.
Pedro tremia. A raiva e a revolta fazia seu sangue ferver, lembrava de suas contratadoras, de como elas choravam, a que falara com ele, que tivera a ideia era a mais forte, a mais séria, e mesmo ela parecia só suportar devido ao enorme muro que ergueu ao redor de seus sentimentos, muro esse, que podia nunca mais vir abaixo. Bolívia arfava, Pedro apertou as mãos, cerrando-as.
- E então? - perguntou.
- Eu fora. - saiu mais um.
- Pode deixar com a gente. - disse o outro, sobraram exatamente três.
Eles o arrastaram até um beco mal-iluminado, Pedro pegou uma câmera no carro, no beco, Luís se encontrava pelado sobre uns sacos de lixo, um dos três se aproximava, pronto, Luís chorava.
- Escuta aqui cachorro, isso aqui agora é Holywood, diz que tá gostando e que quer mais, ou aquele machado vai deixar de ter efeito simbólico.
Luís obedeceu. Pedro filmou tudo. Bolívia abaixava os olhos e virava a cabeça para não olhar, mas Pedro não, ele apreciava o sentimento, sentia-se mal por isso, mas sentia a justiça chegar àquelas meninas. Nunca recebera tão bem por um trabalho, mas nunca fizera um com tanto gosto.
Depois de pronto, pagou os travestis, jogou Luís no banco de trás de seu carro e estacionaram de frente a um hospital de emergência, saíram do caro, trancaram-no e arrebentaram o vidro para acionar o alarme. Fugiram.
Um mês depois, quando se recuperou, Luís voltou a faculdade, dvds com o ocorrido se espalharam feito praga pelo campus, seu apelido agora era Ronaldo.
Dois meses depois, Luís explode os próprios miolos com a .38 que o pai mantinha escondido na sua gaveta de meias.

1 comentários:

Guilherme Toscano disse...

porra, zé abrão. você só reclama! =D
o único nerd no Risos. sou eu, e eu vou postar só semana que vem, então tenha calma que seu post vai sair :D