quinta-feira, 11 de junho de 2009

Macacos folgados pra sempre - parte 1


No último dia 25 de maio foi mais um dia do orgulho nerd, só mais uma data que ninguém lembra - que nem semana passada foi o sexagésimo sexto aniversário do Dia D, mas quem se importa? - e que muita gente até ri, mas se existe até dia da sogra, por que picas não um dia do nerd?
Por diversos motivos tais como falta de tempo - *cof*criatividade*cof* - acabei não fazendo postagens para esse dia, se você acha que não tem nada de mais quanto aos nerds, minha postagem futura pode mudar sua opinião.
A postagem de hoje é a primeira de três em sequência em homenagem a essa tribo social urbana tão preterida pelos infames ditos "normais" como emos num show de trash metal que se formará por dois comentários e um artigo de opinião. A postagem de hoje é um comentário sobre o filme "O Balconista"(Clerks, 1994), um aclamado clássico cult e nerd que representa muitíssimo bem o asunto em questão.
"O Balconista" é uma comédia e acompanha um dia - o mais Infernal - do balconista Dante Hicks(Brian O'Halloran) e se você tem mais de dois neurônios no cérebro já percebeu que a relação entre seu nome e o dia que irá enfrentar não são mera coincidência. Através dessas oito horas de expediente, Dante enfrentará as mais improváveis situações, como um representante de uma marca de chicletes que tenta convencer fumantes a parar de fumar, a visita de uma ex-namorada por quem é apaixonado e está prestes a se casar e a morte de um gordo com problemas de incontinência.
Ao seu lado, sempre tendo Randall Graves(Jeff Anderson), seu melhor amigo e balconista da videolocadora ao lado da loja de conviniência onde trabalha, a platleia vislumbrará toneladas de referências à cultura pop e diálogos pseudofilosóficos. Tudo isso feito com extrema naturalidade e coberto de humor simples, muitas vezes bobo, mas que ao contrário da maioria dos besteiróis - que são um lixo - até mesmo a linha mais escatológica encaixa na conversa e nas situações vividas.
Se você não percebeu, TUDO nesse filme é nerd.
Esse é o primeiro filme do diretor Kevin Smith, na época só mais um nerd qualquer. Inspirando-se na sua vida e em situações cotidianas, Smith criou uma fotografia da juventude outsider e underdog da época, afinal, todas as personagens que desfilam pela tela não têm nada de legal ou descolado, não são pessoas bem-sucedidas nem têm o futuro ganho.
O filme tem esse pesado lado sério ao mostrar personagens que se consideram fracassadas e explora seus sentimentos e angústias quanto à suas vidas e seus futuros, fazendo qualquer jovem, incluindo os da geração de hoje, se identificarem com os questionamentos do filme que são os mesmos de qualquer adolescente sobre sexo, escola, amizade e mais.
Afinal, Smith, também roteirista e produtor do filme, com vinte e poucos anos na época, passava por essas mesmas dúvidas e reflete isso no filme que admite uma aura bastante intimista, aumentada por ser filmado em preto e branco de má qualidade.
Tais fatos contribuíram para torná-lo um ícone cult. Kevin Smith hoje é um cineasta de comédias bem-sucedidas, mas até hoje com a participação de diversos personagens d'"O Balconista" sendo os mais famosos Jay e Bob Calado que aparecem em outras obras do autor como Procura-se Amy, O Império do Besteirol Contra-ataca, Dogma e O Balconista 2. Imaginar que na época o diretor mal tinha dinheiro para fazer o filme, outro motivo pelo qual ele foi preto e branco e porque foi mal distribuído, fato fundamental para que virasse filme cult e raro.
É dificílimo de encontrar, para assistí-lo tive que revirar a internet sendo que se você for assistir a continuação que é o filme mais recente de Smith, você encontra facilmente em qualquer locadora.
O filme é inteligente em suas piadas e tiradas e extremamente envolvente com personagens mais do que carismáticos. É bom o bastante para fazer diversos intelectualóides lado B darem o braço a torcer para um filme americano besteirol, se pode agradar pessoas chatas assim, agrada qualquer um.
O filme termina em aberto, deixando muitas das perguntas em aberto, pois Smith não as havia respondido ainda. Ter encontrado essas respostas o fez trazer "O Balconista 2" à vida em 2006, doze anos depois do original, para mostrar o amadurecimento próprio e dos seus personagens e concluir o que o primeiro começou, agora com dinheiro para uma ótima produção - e em cores. Mas só falarei dele daqui a duas postagens.
Por fazer um filme jovem que retratava como ninguém sua época e trazer profundidade e comédia nonsense a um mesmo filme, "O Balconista" parece cumprir o impossível ao agradar gregos e troianos e ao revelar o que é a cabeça de um nerd e o quanto eles são legais.
Tal filme em 1994 era só o começo do domínio dos nerds sobre as mídias culturais, mas isso é o assunto da próxima postagem.
Agora abaixo, o link para baixar o filme:

1 comentários:

Guilherme Toscano disse...

hahaha, tenho vários filmes do Kevin Smith em DVD e VHS, mas o Clerks eu tenho só no computador mesmo. Sensacional o Post, quando entrei aqui e vi a fotos do Dante e do Randall já vi que seria algo bom. Quanto as "perguntas em aberto" se você for mais atento, você percebe que muitas dessas perguntas são respondidas ao longo dos outros filmes dele (Tirando o Jersey Girl que não faz parte do Askewverse) e não apenas no Clerks 2. Vale a pena tirar um fim de semana pra ver todos os filmes na ordem, eu recomendo. =D

Belo post, cara, belo post.