quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Império Nerd Contra-ataca


Muita gente acha que nerd é só aquele cara que namora a mão direita, curte ficção científica, Exatas, veste roupa social, tem acne, sorri o tempo todo e é conservador. Se você pensava assim, está redondamente enganado. Isso é só um rótulo, um esteriótipo clássico do nerd. Claro que existem os que são assim, e muitos, mas existem muitos tipos diferentes de nerd e como toda pessoa com personalidade, a maioria não se encaixa em uma única "classificação" de tribo urbana, por isso, muita gente é nerd - nem que seja só um pouquinho - e não sabe, pois não bate com o esteriótipo clássico. Porra seu chocolate, o esteriótipo só bate com uma minoria, e a maioria das pessoas, por isso, não percebe a sua nerdice. E claro, também tem as pessoas ditas normais - aka sem personalidade - que creem piamente que só existem os rótulos. Tadinhas.
Então, vamos abrangir os diversos campos que hoje se encontram completamente sobre o domínio nerd, primeiramente, o mais óbvio: o tecnológico. Ora bolas caraminholas, nem tenho que perder meu tempo com isso, basta dizer que se você está lendo isso, pelo Windows ou pelo Linux, se você tem Internet, se você é uma patricinha ou um playboy descerebrados que adoram exibir seus badulaques da Apple - vide iPhone e iPod de última geração - para os seus amigos e pra toda a escola, saiba que se não fossem os nerds, você ainda ia andar por aí de walkman e se achar fodão por isso. Ou talvez nem isso.
A inspiração e a inovação das novas tecnologias de interação e seu design vieram diretamente da cabeça de nerds de diversas áreas da engenharia e artes que quebraram suas cabeças pegando clichês de ficção científica que você hoje debocha e tornando realidade, como o GPS do carro do 007 em 1964, os comunicadores portáteis e sem fio ou os mega computadores, coisas que eram isopor e telas gigantes disfarçadas no século XX e hoje são ferramentas fundamentais da globalização que você nem dá bola.
E se essa tecnologia continua se renovando também é por causa deles, ou você acha que o celular diminuiu tanto em 8 anos por pura mágica? Então ponto pra eles, você já viu que toda a sua vida digital não existiria se eles não tivessem viajado nas telas finas e planas de Star Trek.
Na música, praticamente tudo de novo que surgiu nos anos 90 veio dos nerds, ou você acha que o grunge é o quê? Meu Deus, aqueles caras sujos, que tomavam porres e faziam letras sofridas e escatológicas que embalaram minha infância/adolescência eram nerds? Pode apostar. Mas nerds não eram aqueles caras super estudiosos e tal? Há! Pois é, o grunge dominou o cenário musical ocidental dos anos 90 e é a maior prova de quanto esse esteriótipo era furado. Peguemos Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam ou Kurt Cobain, do Nirvana. Ambos se sentiam solitários, fracassados e desiludidos, não se sentiam amados, até mesmo seus amigos pareciam distantes, eram péssimos alunos, as garotas riam deles e as que eles gostavam não davam-lhes bola e eles não tinham coragem de falar com elas. Fale a verdade, tem ou não tem a ver com a imagem de nerd que as pessoas fazem?
A saída que eles encontraram para aliviar suas frustrações e solidão foi a música, sentimental, suja e pesada, que deu origem a um novo estilo, gerou uma mega tendência de estilos como roupas, vida, cabelo e etc além de ter tornado uma turma de moleques autodestrutivos e que se achavam perdedores em ídolos das mesmas pessoas que os zoavam e principalmente daqueles que se sentiam como eles, resultado? Topo do mundo antes dos 20, um marco na história da música e na vida da garotada daquela geração e de outras por vir.
Tanto é que o grunge é a música de fundo de "O Balconista", mas esse é só o maior exemplo, inúmeras outras bandas são nerd e de diversos estilos, o interessante foi o surgimento delas nessa década, tais como Weezer, Smashing Pumpkins, Mamonas Assassinas e Offspring. Este último, inclusive, conta com um vocalista pós-doutorado em Química.
Quanto à livros, nem vou gastar mais do um parágrafo, só me diga, você acha que Paulo Coelho, Stephenie Meyer, Stephen King, JK Rowling ou qualquer outro escritor best-seller da atualidade tinha muitos amigos e transbordava sucesso em tudo o que fazia? Muito pelo contrário. A JK por exemplo escreveu o primeiro Harry Potter em uma cafeteria e um trem enquanto o mundo caia sobre a cabeça dela. Sem mais perguntas.
Quanto a cinema, as maiores bilheterias do ano passado foram nerds: Indiana Jones 4, Transformers e Batman. Ora bolas, mas esses são filmes nerds, e os filmes clássicos? Basta só mencionar os diretores: George Lucas, Steven Spielberg, Martin Scorcese, Quentin Tarantino, Peter Jackson entre outros, todos esses caras são nerds e passaram por maus bocados durante suas adolescências, cresceram e fizeram uma escola cinematográfica. Essa influência nerd inclusive é descarada em diversos filmes desses diretores como os filmes "ET", "Jurassic Park" e "Guerra dos Mundos" de Spielberg ou a saga Star Wars de George Lucas.
Mas quem mais devemos dar destaque no momento é Peter Jackson, ele é o cara que fez os filmes de "O Senhor dos Anéis", resultado? Um ícone nerd que a crítica intelectualóide de cinema teve que engolir e a premiação de um total de 17 Oscar, sendo que o terceiro sozinho ganhou 11, número que só dois outros filmes na História receberam: Ben-Hur e Titanic.
Quanto ao cinema em geral, basta ver, todos as grandes bilheterias estão vindo do mundo nerd como tudo o que citei acima além do boom atual de quadrinhos e super-heróis. Homem-Aranha, Homem de Ferro, Batman, estes filmes estão sendo assistidos e apreciados por milhões de ditos "normais" que estão liberando seu nerd interior, porque agora não é mais brega ser nerd, ser nerd agora é cool.
E por mais superficial que esses filmes de herói nada possam ser para conquistar a massa "normal" consumidora, até mesmo eles estão evoluindo para suas raízes profundas e sérias dos quadrinhos de onde saíram. Muita gente acha que nerds são idiotas e quadrinhos são coisas de criança, mas filmes como "Batman - O Cavaleiro das Trevas", "300" e "Watchmen" estão mostrando o que esse universo em quadrinhos realmente é, o resultado é um sucesso absoluto de crítica e, no caso dos dois últimos citados, indignação, por são filmes "sérios demais" para serem de super-herói. Filmes inteligentes de herói. Isso é nerd. Se você ainda acha que quadrinho é coisa de criança, "Watchmen" teve censura 18 anos e muita gente não só não gostou como saiu da sala antes do fim porque não aguentou o clima psicológico do filme. E você aí se achando fodinha porque assistiu "Jogos Mortais". Bichona!
O outro boom cultural atual é o de seriados televisivos. Basta dizer que todos os seriados de maior sucesso e audiência são nerds e foram criados pelos mesmos, basta pegar os maiores, Lost, House e Heroes e você verá um zilhão de referências a clássicos da cultura nerd espalhados em seus episódios. Mas essas séries são idiotas, você gosta de coisa séria, você vê Law & Order e CSI, pois é meu amigo, adivinha quem as criou também? Então...O boom dessas séries é a prova na cultura de massa de como os nerds de fato dominaram a mídia e de como se tornaram cool, afinal, quando Lost estreiou, só assistia quem era descolado. Nos States, virou moda ver camisetas com referência a essas séries tais como o símbolo delas, ou frases como "Salve a líder de torcida, salve o mundo" de Heroes ou "todo mundo mente" de House e "não me diga o que não posso fazer" de Lost, este último que gerou um zilhão de camisetas diferentes.
O interessante é que as coisas de nerd estão dominando essas mídias e não os nerds fazendo coisas "normais", afinal, Lost é o maior sucesso e não as séries sérias e Transformers foi a grande bilheteria, não "Dúvida" o que só mostra que as coisas de nerd, consideradas coisa de criança, viraram coisas de gente grande. O maior exemplo disso são os jogos.
Se você não é um nerd, você riu. Pode deixar. Até o final desse assunto eu vou fazer suas bolas secarem feito uva passa. Foi-se o tempo em que jogos era a Nintendo e seus personagens fofinhos . Jogos agora é coisa pra macho! Ano passado, o mercado de jogos rendeu quase 100 milhões de dólares a mais que Hollywood. 100 MILHÕES DE DÓLARES! Aposto que suas bolas já começaram a murchar. Se você teve infância e lembra do seu Super Nintendo e tudo mais, lembra o tanto que os gráficos eram ruins e a música fraca. Os jogos de hoje estão sendo feitos com som 5.1 Surround e imagem em alta definição widescreen para telas de LCD. Se você é tapado, eu vou traduzir, os jogos de hoje são feitos para serem jogados em Home Theaters. Pois é. Deu pra escutar uma das suas bolas caindo agora. Significa que os jogos passaram disso, para isso.
Como raios a turma do Mario passou a lucrar mais do que o cinema? Simples, transformaram os jogos em verdadeiros filmes interativos, com histórias e personagens envolventes, trilha sonora competente e tudo mais além da criação de diversos ícones. No caso, é conveniente destacar Gordon Freeman, protagonista da série de ação Half-Life que é nada mais nada menos que UM HERÓI DE AÇÃO NERD! E seguindo o esteriótipo! Sério, a biografia do personagem inclui MIT e phD e mesmo assim ele virou um herói de ação no melhor estilo de Exército de um Homem Só e ainda pega a garota.
Mas o jogo que com certeza pode marcar melhor do que ninguém o que eu quero dizer é a franquia Halo. Pra encurtar a história do que foi Halo, basta dar-lhe os números: a franquia até agora tem 3 jogos e os 3 juntos venderam mais de 25 MILHÕES de cópias e geraram um lucro aproximado superior a 170 MILHÕES de dólares. Se suas bolas ainda não caíram é porque elas explodiram. 25 é quase duas vezes a população de São Paulo Capital, ou seja, quase duas vezes todo aquele zilhão de pessoas tem esse jogo. Além disso, foram escritos 6 livros best-seller a cerca do jogo - não lançados em português - e Peter Jackson prometeu fazer um filme, quando um diretor que ganha 17 Oscar diz isso, você tem que pagar um pau. E o protagonista da história até ganhou uma escultura de cera no famoso museu nos States na filial de Las Vegas. Lá na terra do Tio Sam até surgiu um jargão empresarial para quando um projeto faz muito sucesso e se expande muito rapidamente: "evento Halo".
Para fazer essa receita dar certo, criaram uma história bacana, um personagem fodão chamado Master Chief e o mais importante: 10 milhões em propaganda. Por que picas essa propaganda? Simples, por que pessoas idiotas acham que videogame é coisa de criança, então o marketing resolveu provar o contrário. Isso foi feito com a campanha chamada de "Believe". Começou com outdoors, em ônibus e até copos do McDonalds com imagens do Master Chief com frases de impacto do tipo "Existem heróis?", o símbolo do terceiro jogo da série, sem o nome e o slogan enigmático: "Acredite". Se você tem mais de dois neurônios, com certeza ficaria curioso. Depois, a campanha passou a botar em metrôs, a passar spots de TV que só mostravam o slogan e o número 3. Depois começaram a fazer tudo isso e a botar o nome "Halo". Aí quando todo mundo já estava morrendo de curiosidade veio a parte mais cara e mais legal: propagandas de TV.
Como eram essas propagandas? Bom, o jogo se trata de uma guerra contra alienígenas em 2530, o que fazer para as pessoas se interessarem por isso? Fizeram videos de ação dessa tal guerra em live-action - caso você não saiba, pessoas reais - com efeitos fodásticos e tudo o mais, depois, botaram velhinhos dando seus depoimentos de guerra enquanto caminham por entre armas e equipamentos da guerra no melhor estilo dos documentários da Segunda Guerra Mundial e por fim começaram a passar videos curtos em CG e quadro-a-quadro com o Master Chief em ação. Tudo isso pode ser visto no youtube, é só procurar. Pronto. "Believe in a Hero" foi um sucesso, o jogo vendeu 100 mil unidades na primeira semana.
O que só prova que personagens como Link, Mario e Zelda são coisas de criança sim, mas a coisa se expandiu para horizontes muito maiores.
Enfim, tudo isso só mostra como os nerds dominaram todas as grandes mídias culturais de hoje, libere o lado nerd em você, afinal, ser nerd agora é legal.

3 comentários:

Hadija disse...

Agora os nerds são tão disputados.
Antes era fácil, fácil.
:/

Lu disse...

Adorei o texto, adorei descobrir tudo isso sobre "nós" nerds..rs mas eu nunca tive vergonha do meu nerdismo nao, se é que existe essa palavra..kkk
Bjs.
Lu.

Nadilla Alves disse...

amei a foto. vou mandar fazer uma camiseta pra mim assim kkkkkkkk ♥