quarta-feira, 8 de julho de 2009

My generation - parte 2

Pois é, depois de um bom tempo, retomo de onde parei na parte 1; nesta postagem final falarei da pré-adolescência e aborrecência, aquela adolescência que fica bem no meio de tudo e que é uma bagunça do caralho.
Um gordinho que não tem mais certeza se é feliz levanta cedo, uma grande mudança em sua vida, pega a lancheira do Cebolinha e a mochila dos Medabots e vai todo feliz pra escola, chegando lá ele é zoado, socado e humilhado pelos amados coleguinhas.
Bem-vindo à pré-adolescência!
Uma fase de marasmo entre criança e outra coisa que vai dos 10 aos 12 e depois a adolescência até os 15 pra entre essa idade e os 20 você finalmente criar vergonha na cara e ver se vira um adulto.
Mas na pré-adolescência, você está na pior fase. É nessa fase que começamos a ter pelinhos onde não tinha, as meninas ficam constrangidas e os meninos têm ereções espontâneas. Sério, a fase mais safada de um menino é entre os 10 e 12 anos, tudo é sexual, TUDO, se a professora falar que tem um buraco pra tapar na parede da sala, todos eles automaticamente vão começar a rir como um bando de retardados, vendo uma alusão pornográfica em tapar o buraco.
Afinal de contas, os hormônios estão bombando e todos os meninos se tornam mais primitivos e agressivos do que antes. O que antigamente se resolvia com um contra no Game Boy, agora se resolvia na porrada. Literalmente. Nessa fase, nós percebemos que as meninas são interessantes.
As meninas percebem mudanças no corpo e na cabeça, a consequência é que toda menina nessa fase se acha adulta e tenta impor isso, mentindo até pra si mesmo e pras amigas - como brincar de Barbie só às escondidas, porque Barbie é coisa de criança - e exatamente por se acharem maduras demais, descobrem que os meninos são retardados.
Lembra do gordinho do Cebolinha? Então, é mais ou menos nessa época que as panelinhas vão se formando e mais tarde se transformam nas atuais tribos urbanas, pois é nessa fase que a personalidade vai se moldando, agora as pessoas não têm mais os mesmos gostos, o mundo não é mais cor-de-rosa e tudo isso é refletido nessa época.
Entre os meninos, formam-se matilhas, em que geralmente o mais parrudinho e ignorante vira o macho-alfa. Entre as meninas é mais ou menos a mesma coisa, mas quem lidera é a menina mais bonita e mais inteligente, se bem que ela nem é inteligente mesmo, porque as mais inteligentes são excluídas porque não são tão legais ou bonitas. Em ambos os grupos existem rejeitos, que não se encaixam na forma como as coisas são, esses excluídos vão formar os grupos de outsiders e underdogs que por serem grupos consideravelmente menores é entre eles que a amizade e outras relações de entre os dois sexos começam a acontecer. Enquanto isso, entre as matilhas, estes grupos formarão as classes de maior número, os playboys, patricinhas e os normais. Os líderes acéfalos e seu rebanho de ovelhas, respectivamente.
Dos que sobraram, aparecerão os nerds, os roqueiros, os psicopatas, os cults, os alternativos, os gays, os moderninhos e um sem tanto de outros grupos. E imaginar que na infância todos os meninos eram amigos e todas as meninas eram amigas, a divisão era por sexo, agora as deformações das personalidades em formação geravam conflitos e mistura.
Poderia fazer uma postagem gigante sobre isso, mas o que marcou essa fase nos anos 00, vamos lá, das meninas não sei dizer muito bem, então vou me ocupar mais falando dos meninos e mais especificamente de mim, pois como houveram muitas cisões, muita gente vai ter tido as mesmas experiências que eu enquanto outros nunca nem sequer as imaginaram.
Primeiramente, ainda éramos um bando de crinças imaturas, mas não queríamos ser. Então bonecos do Homem-Aranha e do Batman - não, na minha época não tinha Max Steel e seus mega utensílios homossexuais - e até mesmo os Transformers - mais especificamente para nós, os Beast Wars - foram todos deixados de lado, porque brinquedo era coisa de criança. Desenhos animados já era também, tirando aqueles que nós achávamos mais "adultos", como os animes violentos. Achar que animes eram maduros....pois é.
Quanto aos brinquedos, precisávamos de alguma outra coisa para nos divertir. A gente já jogava cartas de Pokémon e Yu-Gi-Oh!, mas ambos agora eram muito infantis, então fomos pra Magic. Jogo de macho! E em português! Na época todos esses joguinhos eram em inglês, menos Magic. O que comprovava que Magic era jogo de adulto eram os caras ultraviciados que tinham, todos com 30, 40 e tantos anos de idade. Claro, a gente não sabia que eles eram nerds solitários e acima do peso e adorávamo-os como deuses. Mas Magic é legal, a fase passou, mas sei jogar até hoje. Quando a gente amadureceu, percebeu que o jogo não era lá grande coisa e que aquelas cartinhas eram supervalorizadas e superfaturadas - como uma Akroma que custava 30 reais - então vendemos nossos baralhos e fomos gastar com coisas mais úteis - sexo, mulher, rock'n roll e cerveja, não necessariamente nessa ordem.
O SNES, tadinho, foi trocado com um Playstation ou pelo PC para conversarmos no msn e jogarmos jogos adultos, feito Resident Evil, Half-Life e Tomb Raider. Se bem que ninguém jogava Tomb Raider pela complexidade e dificuldade de fliperama do mesmo, era só pra olhar pros peitos gigantes da Lara Croft e pra sua bunda redondinha.
Falando em video game, enquanto quem era adolescente nos anos 90 teve os fliperamas, a gente dos anos 00 tivemos as lan houses. Tais como Monkey e XXIS não surgiram para fazer a inclusão digital na favela, elas surgiram pra galera jogar jogos em rede mesmo, tanto que elas eram em lugares chiques e refrigerados e custavam caro, 4, 5 reais por hora e todas tinham balconistas sem educação. E juntava a galera pra ir pra elas.
Na moral, o que eu saía naquela época com a galera da escola pra ir jogar CS, Warcraft 3 e Battlefield Vietnam, indo de 5 até 20 caras de uma vez, de uma turma de amigos só fechar uma lan.
Claro, conforme a gente amadureceu, isso passou também.
As festinhas pré-adolescentes. Ah! A maior diversão do mundo, era ir num churrasco na casa de alguém, ingerir álcool e ficar com uma garota. Como vamos esquecer os primeiros vexames causados pela birita, todo mundo dançando "Satisfaction" se achando fodões. Mas essa fase também, é uma fase em que o mundo parece uma merda para todos.
Por isso, é uma fase muito emocional em que você descobre seus verdadeiros amigos e também inimigos. A música tem uma grande participação, antes dessa fase você nem ligava pra música, mas aí ela começa a te tocar emocionalmente e seu gosto musical começa a mudar.
Mas sempre tem algumas bandas passageiras que a gente só é fã durante uma época, mas que retratam tudo que a gente pensa como o mundo. Cada um deve ter a sua, mas pra mim foi Linkin Park. Cara, quando eu tinha 11, 12 anos de idade, Linkin Park dizia tudo o que eu queria dizer. Você juntou coragem pra chegar naquela menina que você tava apaixonadinho há um ano e ela te deu aquele sonoro não?"Crawling" na cabeça. Você acha que seus pais não entendem e você não é nada igual ao que eles querem que você seja? "Numb". Você está puto com seus amigos falsos? "One Step Closer", afinal, você ainda é só um moleque sem personalidade, pra conhecer "Walk" do Pantera você ia ter que virar roqueiro e envelhecer alguns anos. O mundo parece frio, cruel e injusto? "In the End". Cara, fale a verdade, impossível como uma criancinha ver o clipe de "Points of Authority" e não chocar a mente, eu pirei demais: "UOU, COMPUTAÇÃO GRÁFICA!".
Depois passa, embora eu não seja mais fã, Linkin Park é legalzinho. E se você acha tosco, imagine a geração de agora, devem ser todos apaixonados por NXZero...
Até que aí você descobria algum artista ou estilo e seu gosto musical ficava mais definido, dependendo do seu interesse em música ela poderia vir a ter muita ou pouca influência na sua vida. Conforme você avança na adolescência, sua consciência se forma, você passa a ter mais senso crítico, mais noção da realidade.
Foi nos anos 00 também que tivemos o fim das boy e girl bands e o topo da glória da música eletrônica que se misturou em todos os estilos principalmente no pop e no hip hop, hoje embalados pelas batidas além da dominação das pistas de dança pelo trance, house e psytrance. Até mesmo bandas antigas e que sempre foram envolvidas com a música eletrônica como os pós-punks do Depeche Mode resolveram abusar dessa qualidade em seu novo disco lançado esse ano e fez com que a banda, de estilo inalterado há mais de décadas, se afirmasse como atual. Nos anos 00 também o emocore dominou o cenário como o grunge havia dominados os anos 90.
Enfim, fui tomado de nostalgia e perdi o fio da meada, mas a questão é que é a partir dos quinze que sua personalidade acaba encontrando seu caminho. Pois é, não é só época de pegar morrendo nas festas das suas amigas, ela realmente faz diferença na sua vida, você larga de vez o brinquedo e passa a se preocupar de vez com a vida, mas tudo isso aos pouquinhos. A essa altura, estamos já individualizados - ou massificados - de forma definitiva.
E é mais ou menos aí que você se toca que não é mais criança e olha pra trás orgulhoso do tempo em que você brincava de game boy, assistia Dragon Ball e chupava Pushpop.

4 comentários:

Renato Veríssimo disse...

eu já achava o pushpop muito gay,
mesmo sem as conotações...
eu compra era o pirulito bate-bate...

evelin disse...

Para as meninas em vez de Linkin Park era Avril Lavigne.

Maria Clara disse...

Não sabia que vc tinha um blog Zé, legal :]

caueduarte disse...

Cara, que post bacana !