segunda-feira, 6 de julho de 2009

Trabalhos sujos à preço de banana - Policial mau

Pedro parou na penumbra e checou se a rua estava vazia dos dois lados, foi ao orelhão e discou o número que trazia num pequeno pedaço de papel.
- Escuta, ele está vindo pra cá, seus caras já estão no galpão?
- Tudo certo, fera, é ele mesmo né , truta? Se tu tiver de enrolação a gente passa é o seu.
- Certeza absoluta, eu pareço que estou brincando?
- Esse cana matou meu tio mermão, isso não fica barato não.
- Tudo bem, vou desligar, ele deve estar chegando.
Passaram-se dez minutos até um Monza rodar devagar pela rua vazia, quando parou, Pedro entrou.
- Porra bicho, lugarzinho esse, hein? - reclamou o policial.
- Prefiro as periferias, tem algum problema com a região?
- Não, imagina, mas e aí, tu topa o serviço?
- Topo, topo, dá pra fazer hoje se você quiser, por isso que te pedi pra me encontrar aqui.
- Não entendi.
- Eu tenho uma informação muito útil pra você, da que você tá querendo.
- Onde está?
- Na casa de um amigo, aí...
- Ei. - ele sacou a arma. - pode ir parando com essa história, você acha que eu não conheço esse papo mermão? Tu tá mexendo com o rato dos ratos, tá trabalhando pra quem, seu espião de merda?
- Pedro, você tem visita! - gritou Truta da sala, sentando-se no sofá acabado enquanto folheava a revista da Flávia Alessandra pelada. - Fique a vontade. - disse para Tomás, que parecia desconfortável no apartamento.
Olhou o moquifo nos mínimos detalhes depois se sentou no sofá a uma distância considerável de Truta, levantando uma nuvem de poeira da manta que forrava o móvel. Pedro saiu do banheiro coçando as bolas, com um livro na mão, usando roupa casual, sorriu e cumprimentou o detetive à distância.
- Não sabia que você era de leitura, o que traz aí? - perguntou Tomás.
- Por Quem os Sinos Dobram. - respondeu Pedro.
- Hum, que culto, boa leitura... - comentou o detetive.
- Boa leitura é isso aqui. - interrompeu Truta, levantando a revista e sorrindo.
Pedro pegou uma cerveja na geladeira, Tomás fez sinal de que não queria, e em pé, bebendo a cerveja, perguntou o que ele queria.
- Um companheiro meu ficou sabendo sobre você nas ruas, está te procurando pra prestar-lhe um favor, mas é contra a polícia. Veja bem, esse sujeito é quão corrupto se pode ser, é um traficante que tira vantagens do trabalho como policial para facilitar suas ações, tem alguns processos de intimidação, agressão e abuso de poder nas costas, mas conseguiu se livrar delas intimidando as mesmas pessoas que deram queixas. Dei o seu telefone pra ele, deve entrar em contato logo, quero que você tire essa sujeira de circulação.
- Tudo bem, mas é complicado matar qualquer policial, por mais bandido que ele seja, isso vai me sujar.
- Sei de uma forma de você sair limpo. Ele fez uma sujeira contra uma gangue de traficantes rivais aos que o contratam. Ele alvejou a casa da família de um dos caras, prendeu uns moleques, bateu em outros, matou um ou outro, sabe como é. Esses caras estão morrendo por um troco, vou te passar o contato, você leva o sujeito até eles e eles fazem o serviço pra você.
No escuro dentro do Monza, Pedro fez cara feia.
- Deixa eu terminar de falar: eu tenho um esconderijo, um galpão aqui perto, você e seu carro ficam lá enquanto eu buscou a parada e trago pra você, entendeu? Vou te esconder do perigo, não te expor, seu babaca, você não disse que ninguém devia ver a gente fazer negócio? Então...
O outro guardou a arma sem graça.
- Bem, se você diz...foi mal.
Rodaram por entre as vielas escuras da periferia parando por fim enfrente a um galpão velho.
- Quem vai descer pra abrir o portão? - perguntou Pedro.
- Você desce, você é o anfitrião.
Discutiram por alguns segundos, por fim, Pedro desceu resmungando e abriu o portão, assim que o carro entrou ele desceu o portão a tempo de ouvir o carro brecar de repente e dar ré, chocando-se contra o portão fechado e o tiroteio começar.
Dez gangstêres muito irritados esperavam no escuro. Antes que o tiroteio parasse, ele se afastou e desceu até a rua do quarteirão de baixo, onde Tomás o esperava com seu carro.