sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre o terceiro ano

Vocês, meus queridos leitores invisíveis e imaginários, provavelmente já passaram dessa fase da vida de vocês e a guardam com muito carinho. Ah o Ensino Médio! Mas na minha humilde opinião de ser vivente, há um ano desse convívio social que é um verdadeiro Inferno. Digo, o primeiro ano é ruim e chato e difícil pra caralho, o segundo ano é super de boa, passa voando, agora o terceiro ano, meu amigo, é como ser currado por uma maça todo dia.

Na moral, esse longo-longo ano de 2009 foi um dos anos mais TENSOS da minha vida. Foi meu ano menos reconfortante, menos produtivo. Mas também foi mais. Mais fodido, mais difícil, mais chato, mais solitário, mais estressante, mais pesado, mais estranho, mais sedentário, mais nerd. Sério, você dispiroca legal. Prova disso são todas as fotos que ilustram essa postagem - todas tiradas de minha querida sala e meus queridos colegas - que por causa de estresse, cansaço, raiva, entre outras coisas, acabam fazendo as coisas mais estranhas pra tentar relaxar.
E não se engane companheiro, o ano inteiro é uma merda.
Você vai aguentar professores falando sem parar em vestibular do começo ao fim do ano e mais ou menos no meio dele, quando você e toda a sala estão se fodendo legal nas notas, eles vão começar a fazer discursos intermináveis sobre quão burros e insignificantes vocês são, como vocês são incompetentes, como João da Silva, cidadão preto, pobre e que morava longe passou em primeiro lugar no ITA e construiu um Transformer enquanto você ficava disperdiçando o tempo e o dinheiro dos seus pais zerando uma provinha de Física.



Você vai ser julgado. Não por quem você é, pelo seu caráter, produtividade, talento ou capacidade, mas sim pelas suas notas. Você É suas notas. Então já vale adiantar que você vai aguentar todo tipo de sapo que pode imaginar e que vai ter que aturar com uma puxação de saco inacreditável para com certos alunos e destes para com os professores. "Professor, o senhor pode passar mais lista? Pode dar aula à tarde? Posso chupar seu saco até ele ficar enrugadinho?".
Voltando aos talentos, eles serão estirpados de você. Ninguém vai dar a mínima se você é um ótimo músico, se você desenha bem ou se você consegue lamber o cotovelo, se você não tem notas boas, você é um MERDA de um VAGABUNDO que não se DEDICA o suficiente.
Como vocês podem ver, eu ouvi muita merda esse ano. Eu fui chamado diretamente pelos professores dos nomes mais coloridos possíveis como fracassado, perdedor, medíocre, vagabundo, burro e o meu favorito: lastimável. Quando pessoas que supostamente deviam te educar para a vida cedem a pressão das instituições educacionais e à paranoia do vestibular, as coisas podem ficar muito desagradáveis.

Eu fui levado ao limite - principalmente emocional - muitas vezes durante esse ano. Muitas vezes quis escrever postagens aqui explodindo quanto à chatice, arrogância e ignorância que testemunhei, mas deixei quieto. Agora que acabou, a sensação de FODA-SE é incontrolável, é como socar um saco de pancadas.
E tem também a pressão.
No começo, você está relaxado, de boa, achando que tudo que envolve o terceiro ano é uma lenda, conforme o ano passa, ela vai te apertando feito uma cobra pra no final você sentir todo o peso do próprio Mjolnir na porra da sua cabeça. É fundamental ter apoio dos pais nessa hora, porque se você não tiver sangue do seu sangue pra te apoiar, a coisa fica terrível, conheci gente que teve que suportar pressão e desaforo até dentro de casa.
E todos vão fazer questão de jogar isso em cima de você, a convocação do vestibular é como o canto das sereias ou o Chamado de Cthulhu. Você não pode fugir dele e ele é implacável. É uma merda isso, porque pra onde quer que você corra, sempre tem um idiota pra te lembrar que você é um vestibulando.

Mas pra mim, o pior, são as consequências. Desnecessário dizer que sua vida social acaba. Não porque você vira um daqueles paranoicos que estudam dia e noite, mas por exaustão mesmo, depois de passar seis dias em período semi-integral na escola, quando chega sábado à noite e o domingo, você não quer saber de nada. Eu quando animava até ligava pras pessoas, mas era muito raro alguém querer sair e eu mesmo em muitos dias me dei por satisfeitíssimo de poder relaxar jogando um video game, lendo alguma coisa ou assistindo algum filme, sem botar um pé pra fora de casa.
Daí vem a solidão. Eu acho que nunca estive tão distante dos meus amigos e agora estou tentando colar os pedaços assim como eles também, pois foi um ano de ausência de todos os lados. Quanto a garotas? Se eu quase não estava saindo de casa, imagina flertar. Trepar então, nem se fale, melhor não entrar em detalhes. Agora que acabou é até estranho poder sair quando quiser sem ter horário e compromisso com nada. É estranho.
E também é o ano mais difícil. Ele vai te currar MESMO. Eu não me achava burro, mas esse ano letivo me deixou sérias dúvidas quanto a isso. Vou exemplificar comigo, eu fiquei de recuperação final pela primeira vez na vida no último ano letivo. Minhas notas mais baixas oscilavaram entre 3 e 4 mesmo comigo estudando dia e noite e tendo até aulas particulares. Eu tive que prestar vestibulares estudando pra não bombar ao mesmo tempo. E claro, ainda aguentando muito desaforo.
Outro problema é que tudo que você faz bem é tirado de você, como eu havia dito. Sério, nada do que eu gosto ou sei fazer foi utilizado esse ano, aliás, foi esfregado na minha cara o quanto tudo é inútil na hora do elas por elas, pois como eu disse, eles só ligam pras notas. Gostar de Eduardo Galeano e Nietzsche não te ajuda a achar porra nenhuma numa questão de Geometria Analítica nem a resolver problemas de Física. É inacreditavelmente frustrante. Você quase perde o gosto pelas coisas. Eu gosto de escrever e quase não consegui escrever esse ano. Minha mente ficava em branco, esmagada.
Enfim, eu estou completamente satisfeito que isso tenha acabado, independente do resultado do vestibular - que é a única coisa que eles ligam. Inclusive, depois que o resultado sair eu faço uma postagem sobre o assunto. Por hora, quero relaxar.
O que eu quero lembrar é das pessoas legais da escola, dos poucos professores legais e que minha passagem pelo terceiro ano está tão morta quanto esse inseto.
Feliz 2010 para todos.





7 comentários:

Alessandra disse...

ai, ai.
Confesso que ri. No começo de nervoso, mas depois por perceber que eu passei por tudo isso já no segundo ano. Imagina só o terceiro então. Acho que vou ali, pedir uma corda pra me enforcar.

Enfim, eu também achei que fosse mais velho, tipo uns 25 anos. Oo
Tem quantos? 17? 18? omfg.

Renato Veríssimo disse...

vire homem!

b! eatriz ϟ disse...

Bem, faço das palavras da Alessandra, as minhas. Incrível como me indentifiquei 99% com o seu texto estando no 2º ano (incluindo a parte do "lastimável"). Vou ali cortar os pulsos com uma faquinha de pão, já volto.

PS: escreves bem, adorei o blog. =) Passarei aqui mais vezes, sem dúvida.

b! eatriz ϟ disse...

E ah, coloquei o link nos "recomendados" do meu blog!
Beijo!

Alessandra disse...

(Do fundo do meu coração, eu queria que o blog oferecesse algum recurso pra enviar mensagens pras pessoas.)

Meus parabéns então. =)
Ah, então quer dizer que somos os dois capricornos? kapskdfkpoasd

me add? alegetsemani@hotmail.com

Pedro disse...

É interessante notar como suas impressões do terceiro ano são totalmente opostas às minhas. Achei-o cansativo, mas ele não acabou comigo. Minha vida social fez foi ficar mais ativa, especialmente depois das férias do meio do ano, justamente quando o ano fica mais corrido ainda. É algo que vai deixar saudades pra mim...

Renato Veríssimo disse...

nossa, que comentário do pedro alta revelador: ele tem coração, ele não é só números