segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Spawn, o filme

SIM! Meus queridos e amados leitores invisíveis, eu gosto muito de filmes e resolvi agora, vira e mexe, fazer uma resenha/análise/crítica/comentário sobre algum por aqui e vou fazer de todo tipo de filme, então não espere comentários intelectualóides sobre fotografia. O que acham? Fico feliz que tenham gostado e se não gostarem...bem, fodam-se, vocês não me pagam um tostão por essa merda.
Puta que pariu, esse filme tem mais de 10 anos! Podecrer, se você tem minha idade, você deve lembrar dele vagamente. Quando ele foi lançado eu tinha cinco anos e tinha medo desse pôster aí de cima, que foi posto em tamanhos enormes pra todo lado e os moleques metidos a "cool" da escola todos tinhas miniaturas enormes e ultrarrealistas do filme que a gente não dava a mínima por só ter quatro pontos de movimento, mas que eram disputadas à tapa por nerds cabaços colecionadores no mundo todo exatamente pelo seu nível de realismo.
E exatamente por ter cinco anos de idade, não fazer ideia do que se tratava e ter medo desse pôster, só fui ver esse filme muuuito tempo depois. E eu vou te falar, em vias gerais, ele é um filme odiado. Não faço ideia do que os fãs do Spawn acharam, não conheço nenhum fã do Spawn, mas as críticas e publicações de cinema caíram matando.
Agora vamos nois inteirar um pouco melhor sobre que porra é essa e porquê houveram essas reações.
Spawn é uma revista em quadrinhos da editora Image Comics e estreiou em 1992 - mesmo ano em que eu nasci - e gira em torno do personagem de mesmo nome criado por Todd McFarlane. A narrativa começa com Al Simmons, um agente secreto e condecorado ex-fuzileiro que é traído pelo próprio chefe que o mata. Ao morrer vai pro Inferno e lá faz um pacto com o demônio Malebolgia para poder ver sua esposa mais uma vez em troca de se tornar um Hellspawn, uma espécie de general das tropas infernais.
Ao voltar pra Terra, com suas memórias fragmentadas, um corpo destruído e uma estranha armadura simbionte, Simmons vê sua mulher casada com seu melhor amigo e com uma filha pequena, pois cinco anos se passaram desde sua morte. Ao tomar consciência do monstro que se tornou, passa a ter um dilema moral e a usar suas habilidades para o Bem e para se libertar das amarras do Inferno.
É, qualquer semelhança com o Motoqueiro Fantasma não é mera coincidência.
Mesmo com o enredo clichê, a publicação trazia um trabalho artístico de primeiro, nunca antes visto e um formato grande, com papel de boa qualidade. Pois é, se você gosta dos seus quadrinhos fodásticos e bem impressos de hoje, agradeça ao Spawn. As estórias eram fragmentadas, confusas e ultra violentas. Anti-herói perturbado e sangue, sempre dá certo, veja Wolverine e o Justiceiro.
De qualquer forma, foi um sucesso completo. Afinal de contas, apenas cinco anos depois de surgir, virou o filme do qual falo hoje. Cinco anos, motherfucka! Além deste filme, o personagem ainda inspirou uma série animada da HBO que durou 3 anos - que foi ponto alto do personagem e calvário desse filme, logo falarei dela -, um jogo para PS2 e se ele é uma cópia de Motoqueiro Fantasma, gerou uma cópia dentro da mesma editora, o personagem Darkness, criado em 1996 e relançado em 2002.
Enfim, o filme inteiro já é uma puta realização, pois estamos falando em transformar isso em algo palpável em 1997 e eu diria que foram bem-sucedidos. Nós vimos Demolidor, nós sabemos que tecnologia e bons exemplos não garantem nenhum filme de super herói e este filme foi feito numa época completamente escura e sem mercado para essa área, não é como hoje que neste exato momento só de cabeça eu consigo lembrar de 6 filmes sendo feitos (Deadpool, Thor, Capitão América, Os Vingadores, Homem-Aranha 4, Lanterna Verde), numa época em que só havia os filmes do Superman dos anos 60 e o Batman do Tim Burton e Bryan Singer de X-men e Sam Raimi de Homem-Aranha ainda não tinham provado que o gênero era possível.
E como eu disse, eles fizeram um ótimo trabalho com o que tinham à mão, como você pode ver pela imagem abaixo.
O filme segue fiel à história dos quadrinhos com leves alterações e alterações essas que foram bem empregadas, não foram aqueles desvios imensos que tivemos em X-men e Homem-Aranha, foram saídas leves que não irritariam os fãs. O enredo corta pra narrativa principal da primeira fase do personagem dos quadrinhos que vai do número 1 ao 100, quando ele derrota Malebolgia, uma ótima escolha sendo que essa foi a melhor fase do personagem que, nos quadrinhos, depois do número 100 até hoje se perdeu completamente em estórias confusas, chatas e golpes editorias, logo, a primeira fase é de longe a melhor.
A narrativa não vai tão longe e deixa brecha para uma continuação que nunca existiu que provavelmente narraria a luta final do anti-herói com seu demônio criador. Ironicamente, o visual do personagem visto acima é da segunda fase dos quadrinhos, depois da derrota de Malebolgia. Antes, a roupa de Spawn contava com detalhes em vermelho além de sua capa além das correntes não ficarem escondidas dentro de seu corpo.
Mas esse visual do Spawn mostrado no filme é o meu favorito e foi um escolha sábia do diretor, pois mostrou o personagem para o grande público em sua representação contemporânea dos quadrinhos e deu uma impressão menos chamativa, da mesma forma que Bryan Singer usou os uniformes negros dos X-men no filme ao invés dos multicoloridos que poderiam tornar o filme uma piada e quebrar qualquer verossimilhança.
Além de um roteiro fiel aos quadrinhos, outros trunfos do filme são a boa escolha dos atores. Michael Jai White, que interpreta Al Simmons tem uma voz naturalmente assustadora, que combina com o Spawn e o fabuloso John Leguizamo faz uma atuação extremamente carismática e merecedora do Oscar, estando irreconhecível pela maquiagem ao interpretar o Palhaço, vilão do filme, que nem tenho como descrever, é simplesmente fantástica.
Mas o maior trunfo de todos do filme é sem dúvida a maquiagem.
Sério, mais de uma década passou e ela não envelheceu. A prova marcante disso é o rosto desfigurado de Spawn/Al Simmons e o Palhaço, como visto abaixo. De verdade, toda vez que Simmons ou o Palhaço entram em cena você pode se perder em detalhes que a produção teve todo o cuidado com sua aparência, tanto que eu só descobri que era o John Leguizamo quando vi os créditos e só descobri que o Michael Jai White era negro quando assisti o filme.
Efeitos especiais. Aí está a coisa. Eles envelheceram completamente.
Na época, eles eram simplesmente espetaculares. Nos dias de hoje, eles são ridículos, os video games da geração atual são melhores do que a CGI desse filme assim como de quase todos da época. Mas não vamos esculhambar, Matrix Reloaded foi impressionante em 2003 e hoje é hilário ver aquele bonecão do Neo batendo nos agentes Smith.
Isso só nos lembra que abusar de efeitos é sempre uma má ideia. Os grandes filmes daquele ano usaram outras estratégias para não envelhecer, Titanic usou tecnologias novas e de ponta além de ideias malucas e inventivas de cenografia para que o navio afundando não parecesse falso 10 anos depois e O Resgate do Soldado Ryan apostou em ultrarrealismo e efeitos em cena achando melhor arriscar o mínimo com computadores e ambos os filmes não envelheceram.
Os efeitos ultrapassados é algo que pode afetar muito sua experiência de filme.
O outro grande problema é que o filme foi feito pra ser censura 12 anos e Spawn é um personagem adulto. Suas histórias são regadas a sangue, palavrões, sujeira e depressão e tudo isso foi removido do filme. Digo, isto está lá de forma, digamos assim, conceitual, está lá, mas eles não mostram. O Spawn mata pessoas, mas o sangue delas não respinga na cara dele nem na tela, entendeu? E nem sequer o Palhaço tem a boca suja que ele deveria ter. Isso irritou os fãs e fodeu com o filme por comparação graças à série animada da HBO que estreiou no mesmo ano.
A série era completamente fiel. Nela o Spawn tinha a roupa vermelha, os personagens xingavam o tempo todo e havia sangue por toda parte. E era um desenho animado. O fato de um desenho ter tudo isso e um filme não ter simplesmente irritou muita gente. Outro problema é que a série era sucesso de público e crítica e o filme veio à luz com a pressão de ter de superá-la e não conseguiu, tanto que ele tem uma avaliação de 4.8 no IMDB enquanto a série é de 8.7.
Spawn não é um filme ruim.
Enquanto hoje temos filmes de herói com enredo fraco, pancadaria gratuita e que cagam pra obra em que foram inspirados, Spawn foi feito numa época completamente diferente e se mantêm fiel às suas origens e cumpre sua missão de adaptação.
Foi anunciado um provável novo filme de recomeço para o personagem que buscaria de fato engatar uma franquia para talvez 2012. Quem sabe agora vai?
Vou assistir a série animada e então depois lhes digo o que achei.

3 comentários:

Walter Pureza Neto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Veríssimo disse...

então!

handerson disse...

gostei da critica eu assistir esse filme umas 100 vesez[ eu nao to exagerando nao]