terça-feira, 22 de junho de 2010

Fãs bitolados


Isso é um mal que assola todos os cantos da sociedade. Desde fãs cabaças da família Restart, nerds obesos e com mais de quarenta anos fãs de Star Trek, metaleiros cabeludos Black metal tr00, conspiradores paranóicos fãs de Lost e menininhas histéricas fãs de Crepúsculo. Enfim, se eu for dar exemplos aqui, passo a noite toda. O ponto é esse, mas que caralho é esse que faz surgir essa idolatria mais que religiosa referente a um evento cultural, isolado ou não?
Difícil de dizer, mas na minha leiguice de observador, pois eu não sou um psicólogo, pego de gancho meu artigo sobre a “puta falta de sacanagem” e creio que seja uma questão de vazio. Mas o vazio aqui não precisa ser exatamente existencial, imaturidade ou ignorância, seria mais algo como um pedaço que falta na vida mesmo, um vazio muito mais palpável.
Se você é esperto, já percebeu que esse assunto que começou naquele artigo continuará por outros, abordando temas diferentes, mas relacionados, como politicamente correto e cultura de massa. Sim, eles virão, mas não hoje.
Voltando ao assunto, essa idolatria que você vê nos olhos dos fãs nos antigos shows do finado Michael Jackson ou a fidelidade e disciplina da roupa de alguns metaleiros é de fazer inveja a qualquer religião ou culto e de fato é a imagem mais próxima que eu tenho do que seria o ideal de religiosidade na cabeça da Igreja medieval.

Ou seja, fanatismo.

E se você ainda ficar no quesito religioso, é pecado, pois se tratando de algumas pessoas, Deus perdeu a corrida pro vampiro Edward. E ainda nesse ponto, até que são melhores fãs fanáticos do que fanáticos religiosos. Os fãs só ameaçam a vida de seus ídolos e de algum grupo pequeno rival. Mas estou divagando.
Mas o que quero dizer é que esses fãs chegam a pontos assustadores. Lá fora, essas pessoas são chamadas de fanboys. Fanboys são nada mais nada menos que pessoas que idolatram alguma coisa e não admitem suas falhas e choram copiosamente quando a parada acaba ou dá merda ou que viram feras prontas pra batalha caso seu ídolo seja criticado, mesmo que seja de leve.
Dá pra botar um zilhão de exemplos aqui, mas vou pegar um bem recente. Há algum tempo atrás, Hayley Williams, upou por acidente no twitter uma foto de seus belos peitinhos. Os fãs, aliás, principalmente AS fãs foram à loucura, atacando e trollando todos que comentassem sobre a tal foto e jurando de pé junto que a foto era falsa, que não era a Hayley, NÃO PODIA ser a Hayley.
Até o Thiago Borbolla – vulgo Borbs – do Judão, quando deu a notícia e postou a foto, comentou que ficou com dó dela pelo acontecido e que seus peitinhos eram uma gracinha. Pra quê. Fanáticas começaram a atacar o site e seus empregados via twitter, comentário, e-mail, e tudo mais, falando que tanto o site quando o Borbs estavam mortos pra eles ou que eles os matariam se pudessem e coisas assim.

Gente, calma!

Os fãs esqueceram que ela é só uma pessoa, que ela também erra e que ela faz tudo que pessoas comuns fazem, até sexo, o que parece meio inconcebível na cabeça dessas fãs cabaças, incapazes de imaginar que seu símbolo de devoção goste de prazeres carnais.
Mas outros exemplos existem aos milhares. E quando o Michael Jackson morreu e os fãs queriam empalar o médico que lhe prescreveu os analgésicos? Ou quando a Britney despirocou e todo mundo viu na internet o video daquele gay dizendo “leave Britney alone”? Outros exemplos, são como a idolatria chega a níveis idiotas de misturar fantasia e realidade.

Chegamos em Harry Potter, Crepúsculo, animes, Star Trek e Star Wars.

Quem não lembra da galera chorando quando “As Relíquias da Morte” foi lançado e um monte de fãs panacas ficaram reclamando que a JK devia continuar a série? MEU, depois de SETE livros, você quer MAIS? Ou como o David Yates foi atacado pela adaptação do sexto livro ter ficado muito diferente da obra original? Então me chupem, porque eu achei o melhor filme, pois o diretor se preocupou mais em transmitir toda a essência da obra do que adaptar os mínimos detalhes e como fã da série posso dizer que fiquei muito satisfeito.
Tá, beleza, essa é minha opinião assim como muitos discordam dela. A treta é que para esses fãs malucos, eu mereço ser enrabado em praça pública por dizer tamanha blasfêmia. E se eu te disser que o Daniel Radcliffe perdeu a mão do personagem no quarto filme? Aí eu acho melhor eu ficar calado antes de receber cartas bomba aqui.
E como disse, eles não admitem as falhas daquilo que gostam. Digo, Harry Potter é massa pra caralho, mas a JK é muito descritiva e é profissional em encher lingüiça. Esses fãs nunca admitiriam isso. Pior ainda, sua maior influência são as obras de CS Lewis e JRR Tolkien de onde ela “copiou” ideias como os Nazgûl serviram de inspiração para os dementadores. Eu tenho certeza que algum desses fãs teria a coragem de me dizer que foi Tolkien que copiou a ideia, mesmo tendo escrito seus livros 50 anos antes de Harry Potter.
Mas Harry Potter acabou e esses fãs ficaram órfãos e chorando, vamos então para o seu substituto e de onde não só surgiu toda uma nova geração de fãs babacas como muitos antigos fãs de Harry Potter migraram. Estou falando da inexpressiva e chata Bella e seu romance cavaleiresco com o “vampiro” – aka FADA – Edward Cullen.
Existem mil motivos pra explicar porque Crepúsculo faz tanto sucesso, assim também como ele tem mil defeitos que os fãs simplesmente não admitem e choram e defendem com unhas e dentes. Mas eu vou deixar o assunto de porque Crepúsculo é uma merda pra outra ocasião, o foco aqui são os fãs.
Eles se sentem perseguidos, mas o grande problema é que eles não aceitam de forma alguma que você não goste da série. Simples assim. É a melhor coisa escrita desde, sei lá, Harry Potter, e se você não gosta, você é retardado e merece morrer tendo espasmos e babando.
Mas vou dar-lhes um crédito, tem muita gente que trolla Crepúsculo só pela diversão. Sim, irritar fãs fanáticos é divertido. A questão é que você é livre pra se masturbar e suspirar pelo vampiro Edward o quanto você quiser, o problema é que esses fãs extrapolam a realidade! Meu Deus! Toda essa adoração ao redor do Robert Pattinson, é por causa dele ou por causa do personagem?

Pois é...

Ele mesmo já disse estar puto com essa porra toda, porque fica sendo perseguido por virgens histéricas e chocolatantes que o tratam como se ele fosse o vampiro do livro. Gente, ele é só mais um cara e até onde sabemos, ele pode ser completamente diferente do personagem que ele retrata! Ele pode ser um babaca, ele pode não gostar de tomar banho, ele pode até ser gay, sabe por quê? Porque ele é uma pessoa comum, e não um personagem de ficção!
A mesma treta não acontece com Taylor Lautner – vulgo Jacó Preto -, que é tratado pelas fãs taradas no cio realmente como um pedaço de carne, logo, a gostosura do ator fala muito mais alto que a relevância de ser personagem.
E quanto à Kristen Stewart? Rapaz, já vi até ameaça de morte pra essa menina. Sério. Do tipo “o Edward é meu, e não vai ser você, sua atrizinha de merda, que vai ficar com ele”. Pois é. Tratamento psicológico é o que rola. Quando você vê umas notícias assim, você entende porque pessoas matam por deus e até pelo Curintia, porque elas não conseguem botar as coisas em perspectiva.
Mas sério, eu já vi muita gente falar mal da atriz que interpreta a Bella e às vezes até da própria personagem só por ser ela quem tem acesso ao vampiro brilhoso e essas fãs não, que dizem que a Bella não o valoriza.

CARA, você tem noção disso?

A Bella é uma história escrita em folhas de papel, fruto da mente de uma mulher mórmom muito inspirada, ela não é real nem é um personagem de RPG cuja vida você pode controlar.
A falta de discernimento desses fãs é de assustar e é por isso que eles são bitolados, além do fato de que se você tenta explicar o que não é real e o que de fato é, eles passam a querer te bater e é você que os está perseguindo...francamente!
Outro exemplo de mistura com a realidade seriam os trekkers – fãs radicais de Star Trek – e os fãs fundamentalistas de Star Wars. Eu não sou familiarizado (embora queira ser) com Star Trek, mas sou um grande fã de Star Wars e isso não me impede de ver a TONELADA de problemas, contradições ou simples idiotices que a saga de George Lucas tem. Primeiramente porque aquela lenda de que ele tinha tudo na cabeça é mentira, ainda mais agora depois da nova trilogia, fica óbvio que muita coisa ele tirou do nada, sem ter planejado originalmente e que mais um sem tanto foi ideia de outras pessoas que ele incorporou ao universo.
Aliás, analisando criticamente, é mais do que óbvio que Lucas entrou nessa primeiramente por diversão, mas depois simplesmente por dinheiro. E só. Foram os fãs malucos que criaram toda a sensação ao redor dele e de sua propriedade intelectual. E aí está a treta, esses fãs malucos não admitem as falhas e imbecilidades grotescas que existem na série como se os filmes fossem perfeitos. Existe muita gente por aí que PRATICA a religião Jedi, e isso não é brincadeira!
Quanto aos trekkers, todo mundo já ouviu falar dos caras que andam por aí com jargões, cumprimentos e roupas tiradas das séries de TV e filmes de Jornada nas Estrelas. Mandar um “vida longa e próspera” por aí é uma coisa, mas estou falando de pessoas que realmente entram no personagem e saem por aí falando em klingon, em datas estelares e com uniformes da Federação, tudo isso fora de eventos, ou seja, não é um hobby, não é cosplay, é um modo real de vida!
Outro caso interessante: os otakus. Quem nunca passou raiva com um otaku, levanta a mão. Aquele cara que chega xaropando, falando uma ou duas frases em japonês, dizendo que o Japão é o melhor país do mundo sendo que eles não entendem XAVASCAS da cultura japonesa e ficam por aí se comportando como personagens de desenho animado, usando expressões de internet na fala, como “lol” e “S2” e dizendo como os mangás são melhores que os quadrinhos ocidentais, sendo que se trata de dois universos e estilos COMPLETAMENTE diferentes, de forma que é impossível compará-los por ser algo tão absurdo quanto comparar “Rambo” e “Persona”.

Não é à toa que nerds sofrem preconceito e têm fama de virgem, pois uns espécimes desses fodem com a fama de todo mundo.

Todas essas maluquices dão uma razão de viver pra essas pessoas, mas elas deviam saber dosar. O que lhes falta é maturidade e senso crítico. Parece pouco, mas tem gente que passa pela vida inteira pra adquirir pelo menos um dos dois, ou nem os adquire – vide playboys.
Enfim, com essa gente, muitas vezes é melhor só deixar rolar. É que nem aquele seu colega ultra-mega-comunista-stalinista-radical da faculdade, adiante você discutir com ele? Pois é. Um dia a vida bate na porta e as coisas acontecem...ou não. Mas não temos a força necessária para interferir na vida das pessoas dessa forma, então é melhor se afastar e refletir. Se alguma delas der sinal de vida, por favor, mostrem-lhes o caminho das pedras.

Pois se elas vão mesmo gastar toda essa energia de forma religiosa, pelo menos que seja com algo útil e saudável.

7 comentários:

Saymon de Souza disse...

Teu blog tá bacana, zé

[PW] Arbuckle disse...

caara, jurava que o ultimo link do colega de facul ia ser de um certo perfil de orkut aehiuheuihaeiu mas ta massa aeuiaei

[PW] Arbuckle disse...

(joao alex aqui veih xD)

Thaís Tarelho disse...

Zé .. to adorando seus textos !
não sabia que vc tinha esse tom crítico tão peculiar . hehe
parabéns pelo blog .. tá otimo : )

Luciana disse...

nos sabemos dosar,não fale merda do que não conhece,sei que tem essas fãs malucas mas sou otaku mas não fico falando que o japão é melhor nem enchendo o saco,falaram que " vc tem dom critico" POIS É HORA DE ALGUÉM DE CRITICAR.

Ace Hikari disse...

Ai você está querendo generalizar.
Deveria ter posto a "maioria" ou "aquela parte" e não um "os otakus" ou seja abrangendo todos desses meio.

Se isso é critica então não sei o que é elogio.

Anônimo disse...

Cara na realidade a j.k assumiu sim que "copiou " ,ela fez parecido ñ igual, ela disse que era uma forma de homenagear atores , que fizeram livros da sua infância , tipo o guarda roupa (crônicas de narnia ) , ela fez a passagem da estação de trem