sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tropas Estelares

            
            AE AE, meu povo.
            Fico agradecido pelos amigos Guilherme Toscano, Nando Araújo e João Alexandre que se manifestaram sobre qual dos filmes queriam ver a resenha. Como cada um votou em um filme diferente, resolvi escolher entre os três, qual eu estava mais a fim de falar. Mas quanto aos outros dois, fiquem tranks, pois como eles foram votados, eles serão os próximos a serem resenhados daqui algumas postagens.
            Então vamos a isso. Tropas Estelares é uma jóia de ouro na minha infância. Eu tinha cinco anos de idade quando ele foi lançado e é um filme do final dos anos 90 com cara, corpo e pose dos anos 80. Um dos fatos mais marcantes que eu lembro desse filme é que a censura dele era livre. LIVRE!!!! E ele é recheado de violência, palavrões e tem até peitinhos! E eu vendo isso com 5 anos de idade! FUCK YEAH!
            Mas isso é mentira, eu só fui vê-lo uns dois anos depois quando eu estava na casa de um primo mais velho já em idade masturbatória e espinhenta que o alugou e eu acabei vendo também. E eu amei esse filme! Caso você seja um leigo ou tenha melhor gosto cinematográfico, vou te falar do que se trata para você logo entender porque eu gostei.

            O filme é uma adaptação de um clássico da ficção-científica publicado em 1959 por Robert A. Heinlein. A trama do filme é basicamente a mesma do livro. A narrativa se passa no futuro em que o mundo todo vive pacificamente – aparentemente – sob um regime fascista chamado de A Federação. Toda a população não ligada ao governo, o que é a grande maioria das pessoas são chamados de “civis”, que incrivelmente tem pouquíssimos direitos e são de boa com isso, tudo pelo bem comum e àqueles ligados ao poder, como políticos, militares, servidores, aspones e etc são chamados “cidadãos” e têm vários direitos, mas só os que estão mais no topo das hierarquias é que tem todos ou boa parte deles.
            Através da censura e da propaganda, todo mundo vive feliz alienado num grande desfile militarista e coletivista. Tudo isso é uma referência clara e de humor grosseiro ao nazismo. Grosseira porque as propagandas são tão ridículas e a população tão confiante que o discurso aqui é de que as pessoas que se deixam alienar por seus líderes políticos são idiotas. Pois é. Esse filme tem um discurso foda que vai bem além do sangue, desmembramentos e peitinhos. Embora esses três últimos fatores sejam realmente o foco da parada.
            Nessa sociedade todo mundo fala inglês e todos os traços de culturas nacionais e regionais foram perdidos. A história acompanha Johnny Rico, um djovem de Buenos Aires que acabou de concluir o Ensino Médio. Ele, seu melhor amigo e sua namorada querem se tornar cidadãos e, portanto fazem provas para entrar no corpo militar do governo. É como entrar na faculdade. A galera inscreve suas notas, o governo avalia, e dependendo do seu nível de fodacidade, melhor a sua posição.
            A namorada de Rico é mega cdf e quer ser piloto. Ela consegue entrar pra Força Aérea da Federação e fica toda feliz, mas vai passar dois anos longe do Rico. Já o melhor amigo dele entra pra Inteligência pra já virar um coronel fodelão porque ele é ainda mais inteligente e ainda tem poderes psiônicos. Sim, Starcraft copiou essa ideia de alguém, aliás, a Blizzard é especialista nisso. Já o coitado do Rico só conseguiu entrar de soldado raso na Infantaria Móvel. É. A vida é dura.
            Em compensação a amiga loirinha cheia de saliência do colégio do Rico entra pra Infantaria também, o que torna as coisas mais interessantes. Ao mesmo tempo, os humanos estão tendo problemas com uma vasta raça de insetos alienígenas do planeta Klendathu. A treta aumenta e os insetos lançam uma chuva de meteoros na Terra, devastando várias cidades, entre elas Buenos Aires, a cidade natal de Rico.
            Obviamente a Federação declara guerra à Klendathu, o Rico é enviado pra linha de frente e começa o dito festival de sangue, palavrões e desmembramentos. O exército alien é meio que uma tropa de zumbis, eles são difíceis de matar e são uma legião interminável de aracnídeos assassinos. Sim, Starcraft copiou legal de novo pra criar o Enxame Zerg.

            O filme é altamente imersivo e divertido. O clima fanfarrão e clichê de destruição global, desalento e “nós não vamos agüentar senhor! Eles são muitos!” vence rapidamente o nosso preconceito e deboche para nos vermos realmente curtindo o filme.
            Porque eu disse que ele é um filme com cara dos anos 80 é simples: ele é extremamente fanfarrão e galhofa em tudo o que faz e isso acontece de propósito. Os protagonistas são péssimos atores, mas isso só reforça os diálogos e situações descaradamente canastronas do longa.
            E aí é que está. O filme é inteiramente estilizado. Tão estilizado que você nem percebe que ele é estilizado. Tudo, desde o visual Malhação e corpos sarados dos atores, as roupas cafonas e diálogos cretinos estão lá de propósito e por uma razão. Estamos falando de um filme baseado em ficção-científica dos anos 50 e é dos absurdos narrativos dessa década a fonte da qual o filme se alimenta. Portanto, os minutos são cheios de monstros gigantes, frases de efeito, absurdos e exageros típicos do gênero literário na primeira metade do século XX – que nos trouxe coisas como Guerra dos Mundos e Ataque das Formigas Gigantes, pra você ter uma ideia do que eu estou falando.
            Mas tudo isso que eu falei até agora está nas entrelinhas do filme. Coisa que praticamente todo mundo não percebe, o que faz com que muita gente o ache uma merda, pura e simplesmente. Então agora eu vou falar do lado A da coisa, aquilo que está na vista. Primeiramente, a alma da narrativa é a ação, estamos falando de uma guerra e o filme cumpre muito bem esse papel. As cenas de luta contra os aliens muito superiores aos humanos são intensas e claustrofóbicas. É extremamente perturbador toda vez que a cena abre e vemos centenas de milhares de alienígenas fechando o cerco sobre algumas dezenas de humanos assustados.

            A violência aumenta ainda mais a tensão. Como eu disse, aqui tem dela de sobra. Você vai ver insetos explodindo e cobrindo os humanos de seus fluidos no processo. Você vai ver gente sendo desmembrada em detalhes e até mesmo tendo o seu cérebro sugado. Todos esses fatores incluindo os do lado B que eu citei contribuíram para que o filme caísse num esquecimento do público geral, mas entrasse de cabeça no top 5 dos filmes B e trash recentes.
            Mas na época, Tropas Estelares foi um blockbuster. Não sei quanto sucesso ele fez, mas foi uma mega-produção. Os efeitos especiais do filme eram absolutamente incríveis para a época. Nenhum outro filme tinha usado e abusado de CGI da forma como Tropas Estelares usou e não só isso: a maior parte da computação gráfica estaria em cena junto com cenas reais. Trabalho pesado para 1997. Outros filmes haviam tentado e embora o resultado tenha ficado bom pra época, são simplesmente ridículos pros dias de hoje, como em Spawn e em Mortal Kombat.
            Tropas Estelares não passou por isso. O filme envelheceu muitíssimo bem. Ainda nos dias de hoje, os efeitos especiais dão conta do recado. Não são impressionantes, de cair o queixo, como eram em 1997, mas também não são ridículos e a maior parte do tempo cumprem muito bem o seu papel, sendo no mínimo satisfatórios.
            Enfim, o filme realmente é foda e muito divertido. Ele não é Cult nem inteligente, mas se você vai ver um filme de ficção-científica sobre insetos gigantes, já devia saber disso. Ele cumpre muito bem o seu papel de diversão gratuita e traz uma bela alegoria sobre alienação e autoritarismo, embora ninguém tenha prestado atenção nisso. Eu digo pra vocês assistirem, é massa pra caramba.
            Ele gerou duas continuações que são simplesmente tenebrosas de tão horríveis. Sério. São MUITO ruins. E têm o orçamento muito mais baixo, aí essas sim, tem efeitos especiais dignos de um Playstation 1, então podem ignorá-las, simplesmente.
            E por hoje é só pessoal, e pra fechar, uma frase que vai entender só quem lembra do filme:
            “Você quer saber mais?”

3 comentários:

Cesar Filho disse...

Olha esse filme é antigo,mas eu veria de novo,pois eu acho super-meneiro!!!


Passe lá em meu blog,nele você irá ver informações sobre games.

Muito obrigado

www.hardgame90.blogspot.com

Biah disse...

E ainda tem o Neil Patrick Harris que é um chuchuzinhoooo xDD ahauhauh
Adorei a resenha, Zé =))) Vi esse filme no 2º ano orientada por um super professor de Texto e acho que, se não fossem as orientações dele, estimulando o nosso senso crítico a ficar alerta, eu não teria visto (ou no mínimo teria demoraaaaaado) a ver as críticas no filme...
Compensa mto ver mesmo, é massa!! =))
Bão voltar a vir aqui ^^
Beijo!

Felipe Augusto disse...

O Filme é muito bom sim,porém,é bom que você veja o filme antes de ler o livro porque o livro é muito melhor,sem contar que apresenta dezenas de detalhes que faltam no filme.

http://umpapointelectual.blogspot.com