terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Thaís

Dia desses me lembrei de um caso formidável. Tá, não é formidável, mas para a minha lembrança é, de fato, interessante. Eu lembro que, ao que parece ter sido um milhão de anos atrás, em alguma série do primário, eu era amigo dessa menina chamada Thaís. Eu acho que era primeira série, porque nós tínhamos acabado de ser alfabetizados.
Não pense você com sua mente de adulto que existia um amor ou até malícia, nada disso, éramos tão crianças quanto poderíamos ser. O único ponto esquisito era sermos amigos, já que na infância os meninos preferem andar com meninos e as meninas preferem andar com meninas. Como já faz muitos anos, minha memória falha em quase tudo a envolvendo.
Eu lembro... que ela era mais baixa e adorava tagarelar que já tinha morado na Austrália e visto cangurus de perto, o que eu achava fascinante e ficava imaginando como seria ver um canguru de perto, com canguruzinhos nas bolsas, saltitando pelo chapadão australiano. Lembro também que ela tinha uma colega inseparável que também se chama Taís, mas sem o “h”, e que era loira, chata e burra.
Já esta Thaís, eu sei que era com “h”, porque, como já disse, tínhamos acabado de ser alfabetizados e sempre que alguém ia escrever o nome dela ela falava “é com ‘h’, viu?”. Eu também lembro que uma vez tínhamos que colar um papel colorido na cauda de uma sereia para o trabalho de uma professora que eu odiava e hoje vejo que parecia um traveco e que eu tinha esquecido de comprar o tal papel e ela me emprestou do dela.
Estranho pensar como eu posso ter esquecido quase tudo de uma das minhas primeiras amigas na vida. Mas as coisas são assim, o tempo passa, o tempo voa, certo?
Já esqueci tanto que sequer me lembro do seu rosto. Só lembro que ela usava óculos, assim como eu, e que tinha os cabelos castanhos, lisos e bem compridos. O que foi feito dela? Muito simples. Em algum desses anos esquecidos do primário, ela se mudou de novo, dessa vez não lembro pra onde, mas eu acho que era para os Estados Unidos. Ela passou semanas falando sobre a viagem, mas mesmo assim não consigo me lembrar com certeza.
Enfim, aí é que está. Eu lembro de achar paia ela ir embora e falar pra ela, ao que a  resposta foi “ah, fica tranqüilo, Zé! Daqui uns anos eu volto e a gente vai ter mais de 10 anos!”. Caso você não se lembre, quando você é criança, fazer 10 anos é que nem fazer 18. É uma idade que você fica louco pra atingir, sem motivo aparente e nada muda na sua vida. Aliás, com 10 anos você pode andar no banco da frente, mas para por aí.
            Voltando ao ponto, depois que ela se foi eu nunca mais a vi. Nunca mais pensei ou lembrei disso até esses poucos dias atrás e me peguei pensando: caramba! Ela está com dezenove anos em algum lugar, será que ela lembra daqui, do colégio? Que loucura! Aí fiquei pensando: o que será que foi feito dela? Será que ela voltou pro Brasil? Será que é feia, gorda? Magra, bonita, atraente? Será que é inteligente, legal ou burra, antipática e fútil?
 Estranho pensar nisso. Mas fiquei curioso e perdido em pensamentos. Tanta gente que passa na nossa vida! Lembrar dela assim, do nada, depois de tantos anos. Eu diria interessante. Intrigante. Mas legal mesmo, ia ser topar com ela na rua e saber que ela era, já imaginou?

3 comentários:

Renato Veríssimo disse...

talvez não saber que fosse ela, já imaginou?

Alana S. disse...

ai que esse texto me deixou com uma saudade de não sei o quê. e uma tristeza leve também... seria tão foda se você a reconhecesse.

Nau disse...

Texto nostalgico. Tive uma viagem no tempo aqui, agora. Bacana, gostei.