domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vulgar

            Eu quero uma mulher vulgar.

            De baixo calão.

            Daquelas que roubam a luz do lugar, roubam o ar e o enchem com seu perfume. Que tem um olhar. Aquele olhar. Um olhar vendido, barato, provocador. Que te emascula com os olhos. Que te faz ver em câmera lenta.
            Mulher de pele sedosa e que queima. Incendeia o peito que acelera até não poder mais, que faz o ar faltar nos pulmões, a mão fria suar, e a visão escurecer. Que faz intelectual ouvir hard rock o dia inteiro.
            Que te deixa like a virgin. Que ora faz você se sentir um garotinho primário, com medo do escuro, tímido e assustado. Ora te deixa feito adolescente: virgem, espinhento, incerto, inexperiente, assustado, bobo, sem graça, na defensiva. E cheio, cheio de tesão.
            Menina sedutora e que sabe. Que provoca. Que incita. Que irrita. Te quebra as pernas, te deixa puto, faz você ir embora jurando nunca mais voltar. E você volta. Devoradora de homens que espalha seus oito braços de viúva negra em todas as direções, que te prende em sua teia, que te paralisa com seu doce, doce, veneno.
            Quero uma mulher baixa. Vagabunda sem pudores. Que geme, que gosta. Que leva por trás. Que sua, que pede, que treme. Nervosa, que xinga, bate e apanha. Que gosta na boca, na cara, no rabo. Mulher sem vergonha do próprio sexo. Que se permite. Que se entrega. Que goza.
            Das que não são forçadas. Que numa mesa de bar, numa conversa casual, andando pela rua, são tão sedutoras quanto entre quatro paredes. Que tem seus jeitinhos. Seu jeitinho de tocar a boca com o dedo, ou de mexer no cabelo. Maneirismos tão particulares e tão sensuais. De sorriso que desarma, sorriso que gela. Estonteante, brilhante.
            Que rebola. Chama a atenção sem querer. Não precisa de maquiagem. Belíssimas até sem vaidade. Que consegue ter a confiança de uma mulher feita e às vezes o carinho e o frio na barriga de uma menina. Que pode ser feroz, devoradora, mas também frágil e abraçável.
            Quero uma mulher vulgar. Tão linda e recheada de todas as mulheres do mundo que mesmo que faça sofrer, correr atrás, chorar, pedir perdão, não me faça querer nenhuma outra. Uma mulher que sabe o quanto é querida e que dê sorrisos de escárnio quando me puxar pela coleira.
            Uma mulher Capitu, irresistível e dissimulada. Mulher de Sabino, problemática, misteriosa e terrível. Mulheres putas de Márquez e Rodrigues. Que seja sensível e às vezes abra a guarda para chorar. Que ao abandonar os sonhos de menina e o Príncipe Encantado, cresceu pra virar deusa Afrodite. Hera Venenosa.
            Mulher-moleque, que vem, machuca, destrói e vai embora. Mas mesmo assim, nos deixa com um sorriso no rosto e uma marca no peito. Lembranças que se tornam agridoces e nunca, nunca vão embora.
            Quero uma mulher vulgar que me tire da mesmice da rotina ou das noites sem sentido da esbórnia. Que virem minha vida de cabeça pra baixo. Que tirem minhas noites de sono.
            Quero uma mulher vulgar.
            Que me rouba de mim mesmo.
            E me faz pedir mais.

11 comentários:

Guilherme Toscano disse...

Toscano curtiu isso.

Laura disse...

Laura curtiu isso.

Lucas Rigonato disse...

Rigonato curtiu isso.

Thaís Tarelho disse...

Adorei !! :D

Marília Bilu R. disse...

Marília também curtiu isso!
Depois vou fazer um de "Eu quero um homem.." só que vai ser anônimo, pq vai ser muito vulgar. hahahaha. adorei, zé!! :)

Renato Veríssimo disse...

cooool!

Alana S. disse...

ui.

que lascívia

Anamaria disse...

Nada como ler esse texto em pleno começo de semana!
rsrs
Mto bom!

Bárbara Mendes disse...

Muito bom, muito bom mesmo!

José Geraldo Gouvêa disse...

Estou lhe presenteando com um selo que eu recebi. Se topar a brincadeira, siga as regras e passe adiante.

Anônimo disse...

E o bambu?