sábado, 30 de julho de 2011

As melhores trilogias de todos os tempos: terceiro lugar - Star Wars original


O cinema já nos proporcionou muitas trilogias épicas e cheias de vitória ao longo dos anos. O Poderoso Chefão, A trilogia das Cores, A Trilogia dos Dólares, Matrix, Evil Dead, A trilogia Bourne, e mais um sem tanto de outras. Mas só três combinações de três filmes ganharão o meu título de melhores do mundo!
            Pra já começar com dois pés no peito, a saga original de Guerra nas Estrelas, o que eu sei que vai emputecer muita gente, alguns por acharem que a trilogia em questão devia estar melhor colocada e outros que acham que ela não merece ser citada. Fazer o quê. O blog é meu. Haters gonna hate.
            Guerra nas Estrelas foi lançado em 1977 dirigido pelo seu criador, George Lucas, que tirou tudo de sua cabecinha depois de uns quatro anos de matutagem, muitos roteiros reescritos, todo tipo de problema com filmagem, pressão e descrença por parte de TODO O UNIVERSO, atores idiotas e falta de dinheiro. Star Wars é a porra de um triunfo só por ter saído do papel.
            Então vamos contar a historinha; se você acha que ficção-científica é um gênero desacreditado hoje mesmo com obras fodelíssimas como Laranja Mecânica, 1984 e Admirável Mundo Novo, você tinha que ver como eram as coisas naquela época. Ficção-científica era coisa retardada produzida para seriados baratos como Perdidos no Espaço e revistinhas em gibi meia-bomba.
            Vira e mexe alguém tentava mudar essa realidade, com níveis variados de sucesso e fracasso. Um bom exemplo é 2001:Uma Odisséia no Espaço, que a crítica ama, mas que é mais difícil NÃO DORMIR assistindo ao filme do que não dormir vendo Cidadão Kane. Outro é Planeta dos Macacos original de 1968, um ótimo filme, mas que depois foi destruído pelos estúdios em suas continuações e seriados.
            Obviamente cabe dizer que cinema naquela época era uma coisa muito diferente do que é hoje. Procure no Youtube e você vai ver que até os trailers eram chatos. Os filmes eram praticamente todos produções para adultos, sempre sendo muito sérios, sendo diferenciados por serem mais comerciais, trazendo aquele enredo de romance típico dos Estados Unidos, ou sendo experimentais ou europeus, como Taxi Driver e O Poderoso Chefão.
            As outras opções eram animações, geralmente da Disney, focando obviamente as crianças. A maior parte das super-produções tinham ficado perdida nos anos 60 durante a crise de Hollywood que deu brecha para o novo cinema americano de Coppola, Allen, Kubrick, Scorcese e Spielberg. Também fazia parte dessa turma o jovem George Lucas.
            O que quero lhes dizer é que não haviam blockbusters. É, é difícil de imaginar mesmo, mas esses filmes estilo Velozes e Furiosos, Carga Explosiva, Duro de Matar, Rambo, simplesmente não existiam. Os filmes eram ou desenho, ou drama, ou romance ou experimental, de modo geral.
            Aí aparece o George Lucas e fala “vou fazer uma ficção-científica para adolescentes”. Até a mulher dele riu na sua cara. Mas o pobre George realmente parecia zicado. Tudo que podia dar errado na produção, deu errado.
            Como eu disse, ninguém levava ficção-científica à sério. Os atores zombavam do roteiro e brincavam no set o tempo inteiro. Os efeitos especiais da época eram muito limitados e a maior parte teve que ser criado especialmente para o filme. Muitas equipes de efeitos foram trocadas por ou não dar conta do recado ou fazerem efeitos péssimos.
            Por exemplo, Lucas disse que algumas equipes antigas literalmente queriam fazer as naves voarem usando cabos e fios em maquetes contra um fundo preto, coisa que era usada nos anos 30. Em constante crise consigo mesmo e com sua criação, Lucas reescrevia o roteiro no próprio set, no meio das gravações. Parte do filme foi filmado no meio do deserto na Tunísia e uma tempestade de areia destruiu quase tudo.
            Uma maravilha.
            Diretores mais sérios e ególatras já estabelecidos, como Coppola, que se dizia melhor amigo de Lucas, adoravam detonar o projeto pelas suas costas, até mesmo em entrevistas. A própria mulher de George Lucas, que era a montadora do filme, disse que aquilo era uma piada fadada ao fracasso. A única pessoa que botava fé no projeto era Steven Spielberg, outro diretor que não era levado a sério até fazer um sucesso absurdo com Tubarão. Um produtor uma vez disse: “nunca que um estúdio vai botar um filme de milhões de dólares nas mãos de um cara que brinca de aeromodelo e passa o dia inteiro jogando video game, só de cuecas”.
            Não só isso como o filme estourou o orçamento em mais de dez milhões de dólares. A Fox queria a cabeça de Lucas num espeto. Como toda aquela pressão, eles acabaram gravando com o que podiam e como podiam. Ele resolveu chutar o balde. Investiram em trailers, algo que ninguém ligava, para tentar atrair a audiência. Não só isso, mas George Lucas fechou contratos e mais contratos de merchandising, o que deixou todo mundo puto, pois se ninguém ia sequer assistir o filme, quem diabos ia comprar seus malditos bonequinhos?
            No dia da estréia, ele deu o bolo.
            Pegou a mulher e foi para um restaurante tentar se distrair. De repente começaram a ouvir uma comoção na frente do lugar. Tinham fechado a rua. Tava uma gritaria só. Acabaram que foram ver o que era. De frente ao restaurante tinha um cinema. Esse cinema acabara de estrear Star Wars. A polícia teve que fechar a rua por causa das filas.
            E o resto é história – e lucros exorbitantes.


            O casamento de George Lucas com sua mulher troll acabou, ele encheu o cu de dinheiro e Harrison Ford, Carrie Fisher e Mark Hamill viraram celebridades instantâneas. Assim, do nada, começou a saga que é, até hoje, uma das maiores fontes de cultura pop do mundo e que, sem ela, nem metade do poder e da qualidade das nerdices que se espalham por todos os meios existiria. Diabos, sem Star Wars, o cinema não seria como é hoje, nem os efeitos especiais. Sem ele, provavelmente filmes como O Senhor dos Anéis jamais seriam feitos.
            A razão de tudo isso não é mágica. Star Wars trouxe uma aventura feita para a molecada. O filme trazia ação como nunca antes vista, embora seja meio lerdo para os padrões Michael Bay de hoje. Os efeitos especiais também eram inacreditáveis e a história e os personagens eram extremamente envolventes.
            A maior parte dos críticos de cinema odeia Star Wars, porque ele destruiu o cinema. Que é por causa dele que os grandes filmes não têm mais destaque, que os estúdios só pensam em lucros milionários e que o filme é superficial e manequeísta.
            Olha, esses caras estão mentindo para si mesmos. James Ford e Orson Welles também pensavam em lucros e grandes clássicos como Casablanca, Ben-Hur e ...E o Vento Levou foram enormes sucessos de bilheteria. Mas sabe como são esses pseudointelectuais, eles tentam comparar Persona com Rambo, então...


            E era exatamente por ser um filme com uma trama mais simples, com uma clara divisão de Bem contra o Mal que todo mundo adorou poder simplesmente se desligar e se deixar levar. Para mim, a saga original de Star Wars traz a receita pronta de um eterno clássico.
            Veja só, aqui temos a jornada do herói nos mínimos detalhes: garoto órfão embarca numa missão contra o Mal supremo e no caminho encontra um mentor que mais tarde morre, depois disso ele terá que enfrentar obstáculos e principalmente barreiras pessoais para que possa amadurecer e finalmente superar o Mal.
            PORRA, GENIAL!
            Final Fantasy faz isso há 25 anos e ninguém quebra o pau!
            Se vocês estuda Psicologia, acabei de te dar um TCC sobre arquétipos e jornada do herói de presente. De nada.
            O segundo segredo se Star Wars é, obviamente, seus personagens. Darth Vader, Han Solo, Chewbacca, Princesa Leia, Luke Skywalker, C3PO, R2D2. Simplesmente inesquecíveis. Outra coisa que garantiu o sucesso de Star Wars foi a tremenda reviravolta no final do segundo filme, O Império Contra-ataca. Sem contar que o filme termina mal, dá tudo errado, o que deixou todos loucos para ver a conclusão O Retorno de Jedi, que só iria sair três anos depois.
            Porra, eu não acompanho e espero avidamente por uma série de filmes desde O Senhor dos Anéis. E não, paquitas de Harry Potter, eu não chorei nem esperei nem esperniei. Vão chupar uma rola.
            Star Wars criou essa expectativa, botando três anos entre cada filme: Guerra nas Estrelas(1977), O Império Contra-ataca(1980) e O Retorno de Jedi(1983). Toda série de aventura que veio depois tentou copiar Star Wars. Da mesma forma que os quadrinhos foram invadidos de sidekicks depois do sucesso do Robin na revista do Batman, tudo quanto é filme, série, livro e desenho copiou os “problemas paternos” de Star Wars.
            Sério, é foda pra caralho.
            Pra vocês que estão se perguntando quanto à nova trilogia, digo o seguinte: eu não odeio os novos filmes. Eu gosto deles sim e se não fosse por causa deles eu nunca teria conhecido a trilogia original. Porém, eles são piores do que os filmes antigos e, sinceramente, desnecessários. George Lucas fechou a história com os três filmes originais, e muitas outras mentes criativas criaram um dos melhores universos expandidos do mundo, não havia razão para ressuscitar essa franquia.
            Não só isso, como a nova trilogia falha nos dois principais pontos que tornaram a antiga inesquecível: seus personagens são chatos e ela tentou ser séria demais. Um puta tiro no pé. Não que George Lucas ligue, ele desistiu de fazer arte pela arte e passou a objetivar encher o cu de dinheiro há muito tempo.
            Enfim, se você nunca assistiu Guerra nas Estrelas, tira essa bunda da cadeira e assista logo para finalmente entender os um milhão de piadinhas que existem em Friends, Lost e tudo o mais que já foi feito depois dessa grande trilogia.
            Star Wars  original ganha três selos Deadpool, um pra cada filme.


3 comentários:

Rômulo Chaul disse...

Curti o texto. Quando sai os outros dois pra ver se concordo ou se te esgano?

Guilherme Toscano disse...

Tá aí, não sabia de metade dessas coisas.

As outras duas trilogias são, obviamente (e na ordem): "Senhor dos Anéis" e "Corra que a polícia vem aí".

Anônimo disse...

Pena que Terminator nao dá pra entrar como boa trilogia pq dois são bons, um é uma bosta e o quarto deveria passar na Sessão da Tarde.