sábado, 20 de agosto de 2011

Término


            E ele ralha chamando-a de tudo o que tem direito.

            Bandida.

            Ele perdeu sua alma e coração ao longo do caminho e agora está puto. Puto com a vida. Puto com o mundo. Mas principalmente. Acima de tudo. Puto com ela.

            Vaca.

            Fica nessa de bipolar, revesando entre xingar aos quatro ventos e sentir pena de si mesmo. Pobre coitado. Reservado e bobo, todo sonhador e cheio de trejeitos e tiques afetados. Devia ter visto o que estava por vir.

            Vagabunda.

            Bate perna pra cima e pra baixo dentro do apartamento apertado, tentando entender onde foi que ele errou. Revisando segundo por segundo. Frame por frame. Onde foi que ele pisou na bola. Porra, Pipa, realiza! Ela faz merda, ela te chuta, e você que fica na pior?

            Cínica.

            Rejubila-se no conforto dúbio dos amigos, tão lisonjeiros e presentes, como amigos devem ser. Que ela não te merecia. Ela que se fodeu. Você merece alguém muito melhor que ela. Toda menina morreria pra ter um cara como você. Só que elas não morrem.

            Insensível.

            E passa dia, passa tempo e de repente bate nele esse medinho de sair de casa. De enfrentar as pessoas. De por a cabeça pra fora da toca. Vai pro bar, conhece uma garota, a conversa vai bem e tal e daí... já era. Bate um frio na barriga, uma incerteza, uma insegurança uma deprê. Vai pra casa e dorme.

            Puta.

            Onda errada que não acaba mais! Tenta ser mais bonito, descolado, cuidar do corpo. Mas não é bonito, nem descolado. Ri o tempo todo. Ri de qualquer merda. Tenta disfarçar querendo pelo menos ser inteligente e tenta ler alguns livros. Alguns livros importantes. Nem lê.

            Pistoleira.

            Faz juras e mil promessas: nunca mais vai ser legal com uma mulher. Nunca mais vai se apaixonar. Nunca mais vai se deixar levar por essas baboseiras, seja por encantamento ou assanhamento, pois não se pode deixar levar pelas maluquices de seu próprio instrumento fálico. Falha miseravelmente, ficando caído e dando bola pros primeiros rabos de saia tão insensíveis e desprezíveis quanto à anterior.

            Vadia.

            Bate forte a deprê. Elas gostam de outro. Ele não é o bastante. Ele vai morrer sozinho. Orgulhoso que só, não faz nada para aplacar a paranoia a não ser se perder em verborragias intermináveis e irremediavelmente entediantes, como ver o seu avô falar daquela seleção de 58, coisa e tal.

            Quenga.

            Bate a revolta. Na pior por tudo e qualquer coisa enquanto o mundo todo fica nessa fanfarra, culeando por aí. Bate o sentimento de avó. Mundo perdido esse aí, tá tudo errado. Bate nostalgia e saudosismo de tudo que é coisa, mas principalmente daquele tempo que era menino contra menina e a sua maior preocupação e responsabilidade era cuidar dos bichinhos no Pokémon e trocar as pilhas do Game Boy.

            Desalmada.

            Chegou a hora. Ele respira fundo e bate no peito, feito um gorila. Hora de virar macho. Dar a volta por cima. Deixar essas piranhas no buraco. Muda roupa, muda visual, tenta bancar o intelectual inteligente ao invés de ser o retardado que fala merda e ri o tempo todo. Dá tudo errado. Disfarce não dura nem cinco minutos. Puta que pariu, colega.

            Periguete.

            O consolo é saber que o amor acabou. Chega uma desilusão e um cinismo cirúrgico. Aquelas lá, morreram pra ele, odeia todas, despreza. Quer ver debaixo de um caminhão. Chega a aceitação de um destino negro, junto com as previsões de fim dos tempos, aquecimento global, extinção das baleias, fim da água potável e tudo o mais.

            Ingrata.

            Recluso, mesmo com a aceitação, deixa as coisas meio de lado, porém resoluto de seus ideais. Relacionamento, nunca mais. Sexo é superestimado. Não vale a pena se expor desse jeito. Cansou-se. Foda-se. Tudo e todos. De repente, numa fila de banco, no interior de uma lanchonete, dentro do ônibus, uma delas vira, sorri e comenta algo sobre a vida. Ele ri, como sempre o faz automaticamente, e dá um sorrisão bonito.

            Puta merda, colega...

Vai começar tudo de novo.

1 comentários:

Ma. disse...

Mexeu comigo!