quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Séries para assistir nas férias #2

Olá, meus floquinhos de neve caramelados, como vão vocês? Assim como ano passado eu indiquei seriados para se ver nas férias, hoje eu faço o mesmo! Foi um ano muito promissor, com muitas novas séries boas e em que muitas das boas séries antigas perderam a mão. Pois é, algumas das séries da postagem passada como Gossip Girl, House e Supernatural tão de hora extra e precisando urgentemente acabar.
            Caso você queira reclamar dos contos, eu tenho dois engatilhados, mas nessa época do ano o meu movimento baixo de leitores fica ainda mais baixo e menos movimentado. E também, quase todo mundo que eu conheço está postando coisas densas, pesadas e deprimidas no final do ano. Resolvi postar algo mais leve.
            Para suprir a decepção com essas séries, muitas das novas impressionaram. Algumas antigas melhoraram ainda mais, sem contar algumas antigas que não mencionei na outra postagem e agora entraram para essa nova lista de recomendações. Vamos à elas.


GAME OF THRONES
            O gênero de fantasia está consideravelmente defasado, crianças. Se você for na sessão infanto-juvenil de qualquer livraria, há trezentos milhões de livros com elfos, terras distantes, magia e dragões e o que a vasta maioria deles tem em comum é que eles são uma merda. Isso aqui no Brasil, no exterior, a quantidade de títulos do estilo é ainda maior, com bombas bombásticas e chocolatantes do naipe de Eragon e Dragões do Éter.
            Então não, eu não botava fé nenhuma nessa série, baseada em As Crônicas de Gelo e Fogo ( A Song of Ice and Fire no original) do escritor gordo e nerd americano George R.R. Martin, mais um feito a JK Rowling que deu um jeito de homenagear os mestres J.R.R. Tolkien e CS Lewis em seus nomes de escritor.
            Esse trauma com fantasia começou com o fato de eu nunca ter conseguido escrever fantasia decentemente – embora um dia eu chego lá – e também por causa da quantidade atroz de coisas ruins de fantasia que existem. Isso começou quando eu li Dragões do Crepúsculo de Outono e parada só ficava boa nas 20 primeiras páginas e nas 50 páginas finais. E só. Como sempre tinha uma mitologia própria muito foda e tudo mais, mas era muito chato.
            E eu comecei a ficar de saco cheio dos clichês semi-obrigatórios de fantasia, como os que se encontra nos jogos, com as poções de mana, os elfos babacas, os portais de uma cidade pra outra e sempre, SEMPRE, uma crise de criaturas DUMAL que vai devorar e foder o planeta. Sérião, Um Anel para  todos governar já foi o suficiente, não quero ver mais essa história.
            Mesmo assim, resolvi ver de qual que era, nem que fosse pra falar mal. Eu li a série Crepúsculo pra poder comprovar se era tão ruim como falavam, tinha que conferir essa série. E foi com grande surpresa e satisfação que ela CHOCOU MINHA MENTE.  A série é tão boa que me levou a ler os livros – que são maravilhosos. Acontece que Game of Thrones é uma evolução e também uma perversão do realismo-fantástico do gênero, no estilo O Senhor dos Anéis em que os elementos de fantasia não são tão grandes.
            Além disso, a série é adulta e envolve traição e guerra por causa de um trono – ah, sério? – e aqui está uma narrativa cheia de sexo, violência, traição e muitas conspirações e reviravoltas inesperadas. É o melhor do melhor da fantasia contemporânea e você poderá até se pegar achando-a melhor do que O Senhor dos Anéis.
            Pois é. Enquanto O Hobbit não chega, que tal explorar Westeros e todos seus personagens fantásticos?


FALLING SKIES
            Outro gênero fodido é ficção-científica. Nunca acompanhei nenhuma série desse estilo simplesmente porque eram chatas demais. Battlestar Galactica, Stargate, Firefly, Babylon 5, Star Trek. Todas um TÉDIO. Chatésimas. Falling Skies  é sobre invasão da Terra e, não sei por que, resolvi dar uma chance também.
            E curti. Não é uma série perfeita e maravilhosa, mas é muito legalzona. Ela usa as limitações de orçamento e efeitos especiais em prol do roteiro e isso deu certo. Outra coisa legal é o protagonista, que é um professor de História e não um marine super bombado, bonitão e tatuado.
            E é muito mais sobre sobrevivência e mesmo assim ficou bacana. A maior parte dos outros personagens são estereotipados, mas são bacanas, mesmo assim. Vale a pena porque é uma série que misturou sobrevivência estilo Lost com alienígenas e não inventou mil mistérios, nem grandes heróis, nem flashbacks. Ela se manteve no simples e no legal e o resultado é uma série muito legalzona que, exatamente por não ter pretensões demais, acaba superando as expectativas.



AMERICAN HORROR STORY
            Uma das melhores novas séries do ano. Assisti a temporada inteira em três dias. Em uma palavra: FODA. Ela junta tudo que tem de legal em filmes de terror: tem monstro, tem fantasma, tem serial killer, tem sadômasô, tem anticristo e tem uma governanta gostosa que também é uma velha caolha. E tem a Taissa Vergara jailbait com seus 17 aninhos fazendo uma menina depressiva massa.
            A série não se prende ao gore e tem um enredo muito bom e sempre mantém o suspense lá em cima, o que me deixa muito feliz, porque a maior parte dos filmes de terror esqueceram disso. Sério, Jogos Mortais e Atividade Paranormal são uma merda, um só tem violência e coisas nojentas e o outro fica batendo porta sem um enredo decente.
            O mais surpreendente é que ela é dos criadores de Glee. Pois é. Como os caras que criaram aquele seriado macarrônico e purpurinado conseguiram criar uma série de terror tão foda jamais compreenderei. O único porém é que a história da primeira temporada se fecha, podendo dar um perfeito ponto final logo ali, da mesma forma que Heroes poderia ter feito. Mas Heroes continuou e virou um lixo inacreditável. Tenho muito medo quanto ao futuro dessa série, os roteiristas vão ter que se esforçar muito pra não deixar a peteca da qualidade cair.


FRIENDS
            Clássica, né moçada?
            A sitcom nunca mais foi a mesma e até hoje temos que engolir toneladas e mais toneladas de cópias descaradas – e ruins – dessa série; pra resumir, ela simplesmente é muito boa. Muito boa. É daquelas que você pode ver e rever quinhentas vezes e as piadas ainda tem graça. Uma coisa interessante é ver o quanto o longínquo ano de 1994 parece distante, zoado e brega vendo as primeiras temporadas nos dias de hoje.
            O segredo é que todos nós queremos que nossos amigos sejam como os do seriado. E todos nós nos identificamos fodido com um dos personagens. No meu caso, me acho o Chandler Bing. É uma série que não tem erro porque ela até é o prazer culpado de alguns babaquinhas anti-enlatados americanos que eu conheço. E são DEZ temporadas, dependendo do seu nível de tédio nessas férias, dá pra você assistir a coisa toda.


HOW I MET YOUR MOTHER
            De todas as cópias de Friends já feitas, essa é de longe a melhor. É uma cópia descarada, mas é ótima. E existem novas estratégias de narrativa muito inteligentes e legais. Por exemplo, os episódios são cheios de flashbacks, narrativa desconstruída, narrativa episódica e etc etc etc. E o mais legal é que eu nunca imaginei nada disso numa série de comédia e DEU CERTO!
            Os personagens não são excelentes, mas o que costuma prender é ora o roteiro ora os atores. Alyson Hannigan e o Neil Pratrick Harris são os principais responsáveis por isso. A série também tem um lado bonitinho, porque o protagonista, Ted Mosby, está em busca do amor de sua vida. Eu acho isso legal, ainda mais hoje em dia em que ter sentimentos e buscar alguém maneiro pra você é considerado veladamente como bobo pela vasta maioria das pessoas, incluindo as meninas.
            Pessoalmente, porém, eu acho Ted meio chato e seu ator meio ruim, mas isso não chega a atrapalhar o todo. Já está na sétima temporada, porém, e até agora nada dele conhecer a mãe de seus filhos, então, se você quer assistir: coragem.



2 BROKE GIRLS
            Outra boa novidade desse ano. Enquanto a maior parte das sitcoms envolve gente de classe média morando em Manhattan, essa série acompanha duas garçonetes fodidas do Brooklyn. A desgraça delas vira piada, mas ao mesmo tempo é muito interessante ver temas como sucateamento da saúde pública, falta e saneamento e moradia, racismo e outros temas da quebrada aparecendo no horário nobre e sendo abordados com bom humor.
            O que fez ver a série foi a Kat Dennings, sempre fui fã da atriz, e quis saber do que se tratava e gostei muito da série. Ela faz a garçonete Max Black, super traumatizada emocionalmente e fechada por causa de uma vida dura que nunca de uma folga e sua improvável amizade e parceria com a garçonete Caroline Channing, uma socialite riquíssima que de repente se vê pobre pobre de marré marré marre quando seu pai é preso por fraude bancária.
            Embora essa abordagem de rico/pobre não seja nova, a série não entra em nenhum dos clichês. A apatia quanto à pobreza de Caroline talvez seja um pouco forçada, mas é melhor do que ver as cenas batidas de patricinha chorando e dando esquetes. Ver ela usar sarcasmo e bater de frente com as coisas pode não ser realista, mas é novidade.
            E tem as piadas com hipsters, que é a cereja no bolo.
            Sério, são maravilhosas e criticam toda essa turma moderninha querendo ser chiques ou alternativos na pobreza sem abrir mão de seu cartão de crédito. O que é legal, porque às vezes parece que só eu não gosto de hipsters. Enfim, assista, é bom, é engraçado, tem a Kat e tem a Beth Behrs.



THE BIG BANG THEORY
            Essa série é polêmica.
            Por que, você me pergunta e eu te respondo: porque ela reforça estereótipos, às vezes é ofensiva e por aí vai. Não só pela forma com que retrata os nerds, mas também a “loira burra” interpretada pela Kaley Cuoco. Mas isso depende muito do quanto os roteiristas estão dispostos. Eu já vi episódios e piadas que foram assim, ruins e estereotipadas, mas a maior parte do tempo, não é.
            A maior parte do tempo é realmente engraçado, cheio de ótimas referências ao mundo nerd e à cultura pop e muitas vezes real, mostrando os rapazes e seus relacionamentos assim também como a Penny tentando superar o julgamento superficial que sofre e trabalhando duro pra ter uma vida melhor.
            O problema é que muita gente que assiste a série leva tudo aquilo à sério, o que gera muito daquele “preconceito nerd” que é um saco ou senão gera aquela outra coisa: todo mundo assiste, vê uma coisa em comum e já acha que é nerd. Um exemplo: aquele conhecido playboy seu que de repente te fala “pô cara, sou super nerd, adoro video game” e daí você fala “ah é? O que você joga?” já sabendo a resposta e ele fala: “FIFA, Need for Speed e Call of Duty Modern Warfare”.
            Não cara, você não é nerd. Nunca serão.
            Enfim, o fallout da série é problemático, mas ela mesma é muito boa e divertida. Vale a pena conferir, só não banque o idiota depois, por favor.



THE WALKING DEAD
            Inspirada nas histórias em quadrinhos de mesmo nome – publicada no Brasil como Os Mortos-Vivos – ela começa meio parada mas rapidamente evolui pra ser uma das melhores séries dramáticas disponíveis. Veja bem, ela não é uma série sobre zumbis, mas sim sobre os personagens e seus dramas.
            Tem gore e umas mutilações, mas é mais por diversão. A maior parte dos episódios, você nem sequer vai ver um zumbi. O drama, os conflitos, a sobrevivência, esse é o foco aqui e é isso que faz a série ser interessante. Se fosse simplesmente sobre matar zumbis, não seria nem metade do que é.
            A prova cabal disso tudo que lhes disse veio dos próprios quadrinhos quando o protagonista Rick Grimes diz “Nós somos os mortos-vivos”. Porque todo aquele apocalipse, todos aqueles zumbis, eles não se importam. O horror, as vidas vazias, os valores e morais destruídos, isso é um peso para os vivos que se tornaram nada mais do que mortos que andam.
            Foda né?


 MAD MEN

            Essa série já está rolando há quatro anos, mas só assisti agora. Pois é. A maior concorrente em séries adultas da HBO é a ABC, e esse era o seu carro chefe antes de The Walking Dead. A diferença é que a ABC é comportada, então aqui não tem peito pulando e coisa e tal.
Mas estou divagando. Mad Men é sobre os publicitários da Madison Avenue em Manhattan na década de sessenta. A série é de drama e é ótima, com um protagonista com um passado obscura, sua mulher troféu bonequinha com desejos e vontades escusas e etc etc etc. Uma das melhores coisas, na minha opinião, é a forma como os anos sessenta são retratados sem alívios, com toneladas de racismo, machismo, cigarro e opressão.
Vale muito a pena ver se perguntar se as coisas realmente mudaram nos últimos quarenta anos.

Pois bem criançada, por hoje é só. Depois me digam se gostaram das recomendações, depois do ano novo voltamos à nossa programação normal.

1 comentários:

simone saty disse...

Vários já recomendaram pra mim Falling Skies, acho que vou dar uma chance... Mas eu fiquei mais interessada em 2 Broke Girls. Gostei das recomendações! Aliás, eu acho engraçado o seu tom de deboche em textos desse tipo.